Mulheres lideram eleitorado no Tocantins com 50,9% dos votos em 2026
Eleitoras aptas somam 601.991 e maioria está em todos os 139 municípios do estado

O Tocantins chega às eleições de 2026 com um dado que reflete a realidade de um estado cada vez mais plural: as mulheres já representam 50,9% do eleitorado apto a votar, um total de 601.991 eleitoras espalhadas por todos os 139 municípios tocantinenses. A marca não é apenas um número, mas um retrato da crescente participação feminina na política local, onde a maioria das cidades já tem mais mulheres do que homens nas listas eleitorais.
Esse cenário coloca o Tocantins em sintonia com uma tendência nacional, mas com um detalhe que chama atenção: em nenhum dos maiores colégios eleitorais do estado as mulheres estão em minoria. Em Palmas, por exemplo, a diferença é de 52% para elas contra 48% dos homens. Em Araguaína, segunda maior cidade, a proporção é de 51% para 49%. Até mesmo em municípios menores, como Gurupi e Porto Nacional, as mulheres já superam os homens no cadastro eleitoral. Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO), a tendência vem se consolidando há anos, com um crescimento constante do número de eleitoras, especialmente entre as jovens de 18 a 24 anos, que têm se cadastrado em massa nos últimos pleitos.
Para quem vive no estado, a notícia não é apenas estatística. Nas ruas de Palmas, a realidade já se faz presente no cotidiano. Em bairros como o Jardim Aureny III, por exemplo, as mulheres não só votam em maior número, como também ocupam espaços de decisão em associações de moradores e conselhos comunitários. Em Araguaína, a prefeitura já registra um aumento de 15% na participação feminina em programas sociais nos últimos dois anos, algo diretamente ligado à sua presença no eleitorado. Na saúde, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-TO) observa que, desde 2020, as mulheres são maioria nos programas de prevenção e acompanhamento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, o que pode estar relacionado à maior conscientização política sobre políticas públicas.
Os números do TRE-TO mostram que, em 2026, as mulheres serão 50,9% dos 1.182.635 eleitores aptos no estado. Palmas lidera com 223.456 eleitoras, seguida por Araguaína (89.210), Gurupi (45.678) e Porto Nacional (28.901). A diferença é ainda mais acentuada em municípios como Dianópolis, onde as mulheres representam 54% do eleitorado, e em Miracema do Tocantins, com 53%. O fenômeno não é exclusivo do Tocantins, mas aqui ele ganha contornos próprios, especialmente em um estado onde a participação feminina na política ainda enfrenta desafios, como a sub-representação em cargos eletivos.
O que esses dados revelam, na prática, é que o Tocantins está diante de um momento único. Com mais mulheres aptas a votar, a pressão por candidaturas femininas tende a aumentar, assim como a cobrança por políticas públicas que atendam às demandas das eleitoras. Em 2024, por exemplo, o número de mulheres filiadas a partidos políticos no estado cresceu 8%, segundo a Justiça Eleitoral. Isso pode significar que, em 2026, não apenas o eleitorado será majoritariamente feminino, mas também que as candidatas terão mais espaço para disputar cargos.
Ainda assim, especialistas ouvidos pela *Capital da Notícia* alertam que o crescimento do eleitorado feminino não garante, automaticamente, maior representatividade. Em 2020, por exemplo, as mulheres ocupavam apenas 12% das vagas na Câmara Municipal de Palmas, mesmo sendo maioria no eleitorado. A coordenadora do Núcleo de Estudos de Gênero da Universidade Federal do Tocantins (UFT), professora Maria Aparecida Silva, lembra que a participação política vai além do voto. "É preciso que as mulheres também sejam convidadas a ocupar cargos de decisão, não apenas como eleitoras", afirma. Para ela, o dado do TRE-TO é um sinal de alerta para os partidos, que precisam se adaptar a essa nova realidade.
O Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins já anunciou que, para as eleições de 2026, vai intensificar campanhas de incentivo ao alistamento eleitoral entre as mulheres, especialmente nas periferias das cidades. A ideia é garantir que todas as eleitoras estejam cadastradas e aptas a votar, além de promover debates sobre a importância da participação feminina na política. Em Palmas, a Justiça Eleitoral já planeja parcerias com associações de bairro e sindicatos para levar informações sobre o processo eleitoral diretamente às mulheres.
Enquanto isso, nas ruas, a discussão já começa a tomar forma. Em Araguaína, a vereadora Maria do Rosário, do PT, uma das poucas mulheres no legislativo municipal, comenta que a maioria feminina no eleitorado é uma oportunidade. "As mulheres estão cada vez mais conscientes do seu poder de decisão. Agora, cabe aos partidos e aos candidatos entenderem que não dá mais para ignorar nossas demandas", diz. Em Porto Nacional, a professora e ativista social Ana Lúcia Oliveira, que há anos luta por políticas de igualdade de gênero, comemora o dado, mas faz um alerta: "Ter mais mulheres votando é importante, mas precisamos que elas também sejam ouvidas quando os projetos de lei são discutidos".
O que fica claro é que, em 2026, o Tocantins não será apenas um estado com maioria feminina no eleitorado, mas também um laboratório de como a política pode se reinventar diante dessa realidade. Se os partidos não se adaptarem, o risco é perder não apenas votos, mas também a chance de construir uma democracia mais representativa. E, para as mulheres tocantinenses, a mensagem é clara: o poder de decisão está nas mãos delas.