Duty free movimenta turismo e aeroportos no Brasil
CEO da Dufry destaca papel do varejo livre de impostos em 14 lojas pelo país

O setor de duty free no Brasil ganhou reforço na defesa de seu valor para o turismo e a economia dos aeroportos. Gustavo Fagundes, CEO da Dufry no país, destacou a importância do modelo durante discussões recentes sobre o setor. Segundo ele, as lojas livres de impostos não são apenas um atrativo para passageiros, mas também uma peça-chave na infraestrutura aeroportuária.
A Dufry opera atualmente 14 unidades de duty free espalhadas por aeroportos brasileiros, um número que reflete a confiança no segmento. Fagundes argumenta que esses espaços não apenas facilitam a experiência do viajante, como também geram receita adicional para as concessionárias e terminais. "O duty free é parte integrante da cadeia do turismo. Sem ele, muitos aeroportos perderiam uma fonte significativa de recursos", afirmou o executivo. A afirmação ganha peso em um momento em que o setor aéreo brasileiro busca alternativas para aumentar sua rentabilidade, especialmente após os impactos da pandemia.
Para os passageiros, a presença dessas lojas representa mais do que uma simples opção de compras. Em viagens internacionais, por exemplo, os preços competitivos de produtos como perfumes, eletrônicos e bebidas alcoólicas atraem consumidores que buscam economizar. Nos aeroportos brasileiros, onde o fluxo de passageiros tem se recuperado gradualmente, o duty free se tornou um diferencial. Em 2023, a Dufry registrou um aumento de 20% nas vendas em suas lojas nacionais em comparação ao ano anterior, um indicativo de que o modelo segue relevante mesmo com a retomada das viagens.
A operação da Dufry no Brasil não se limita a grandes hubs. As lojas estão distribuídas em aeroportos de diferentes portes, desde terminais regionais até os principais centros de conexão. Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, as unidades da empresa são pontos de parada obrigatória para muitos viajantes. Fagundes lembra que, além do apelo comercial, o duty free contribui para a imagem dos aeroportos como espaços modernos e alinhados às expectativas globais. "Os passageiros esperam encontrar essas opções. É um serviço que faz parte da experiência de viagem hoje", disse.
O executivo também sinalizou que a empresa deve expandir sua presença no país nos próximos anos. "Estamos avaliando novas oportunidades, especialmente em aeroportos que ainda não contam com o modelo", afirmou. A estratégia inclui a abertura de lojas em terminais menores, onde o potencial de crescimento é considerado alto. A Dufry, que já é uma das maiores operadoras de duty free do mundo, vê no Brasil um mercado promissor, mesmo diante dos desafios econômicos recentes.
A discussão sobre o futuro do duty free no Brasil não se restringe apenas ao varejo. Há também um debate sobre a regulação do setor, que envolve questões tributárias e a concorrência com lojas físicas fora dos aeroportos. Fagundes, no entanto, defende que o modelo é sustentável e benéfico para todos os envolvidos. "O duty free não compete com o comércio tradicional. Ele atende a um público específico: o viajante que busca praticidade e preços diferenciados", explicou. A afirmação reforça a ideia de que o setor pode coexistir com outras formas de comércio, sem prejudicar o mercado local.
Enquanto o setor aéreo brasileiro segue em recuperação, o duty free se mantém como um dos pilares de receita para os aeroportos. Com a Dufry liderando a operação em 14 unidades, o modelo ganha ainda mais relevância. Para os passageiros, a presença dessas lojas pode ser decisiva na escolha de rotas ou até mesmo na hora de fechar pacotes de viagem. Afinal, em um mercado cada vez mais competitivo, cada detalhe conta — inclusive a possibilidade de levar uma lembrança ou um produto com preço atrativo na bagagem.
Ainda há incertezas sobre como o setor se comportará nos próximos meses, especialmente com a volatilidade do câmbio e a possível queda no poder de compra dos consumidores. No entanto, o otimismo da Dufry sugere que o duty free seguirá como um elemento-chave para o turismo brasileiro, unindo passageiros, aeroportos e varejistas em uma relação de ganhos mútuos.