Farmaceútica processa rival por propaganda de remédio para emagrecer
Novo Nordisk acusa Eli Lilly de enganar pacientes nos EUA com publicidade do Mounjaro

A dinamarquesa Novo Nordisk, dona dos famosos Ozempic e Wegovy, abriu processo contra a americana Eli Lilly na Justiça dos Estados Unidos. A acusação é de que a rival usou propaganda enganosa para vender seus medicamentos Mounjaro e Zepbound, voltados para controle de peso. O caso foi registrado nesta terça-feira (21) em um tribunal federal de Nova Jersey, onde as empresas travam uma batalha comercial que já afeta milhões de pacientes no mundo todo.
A Novo Nordisk alega que a Eli Lilly violou leis federais e estaduais ao exagerar os benefícios de seus remédios, comparando-os de forma inadequada com os concorrentes. Segundo a denúncia, a propaganda da Eli Lilly sugere que o Mounjaro e o Zepbound teriam eficácia superior ou equivalência aos tratamentos da Novo Nordisk, sem apresentar provas científicas suficientes para sustentar essas afirmações. A ação judicial busca não só indenizações, mas também a proibição de determinadas campanhas publicitárias que, segundo a empresa dinamarquesa, induzem os consumidores ao erro.
No Brasil, onde esses medicamentos são amplamente discutidos — especialmente em clínicas de emagrecimento e entre pacientes que buscam alternativas para obesidade ou diabetes — a notícia tem gerado alerta. Médicos e pacientes já haviam questionado a forma como os anúncios dos remédios para controle de peso são veiculados, muitas vezes sem destacar os riscos ou limitações de uso. A Anvisa, agência reguladora brasileira, já havia recebido denúncias sobre publicidade irregular de produtos similares, mas este processo nos EUA pode acelerar mudanças no setor.
A Novo Nordisk não é novata nesse tipo de disputa. Em 2023, a empresa processou a Eli Lilly por patentes relacionadas ao Mounjaro, alegando que a rival copiou sua tecnologia. Agora, a briga ganha um novo capítulo, focado na ética da publicidade. A Eli Lilly, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas já defendeu em outras ocasiões que seus medicamentos são seguros e eficazes quando usados conforme orientação médica.
Para quem depende desses remédios no Tocantins ou em qualquer outro estado brasileiro, a notícia serve de alerta. Pacientes que buscam tratamentos para obesidade ou diabetes devem redobrar a atenção com propagandas que prometem resultados milagrosos. A Anvisa já orientou que esses medicamentos só devem ser usados sob prescrição médica, mas a fiscalização nem sempre é eficiente. A batalha judicial nos EUA pode, inclusive, influenciar regulamentações brasileiras, obrigando as empresas a serem mais transparentes em suas campanhas.
O processo deve se arrastar por meses ou anos, mas o impacto imediato já é sentido no mercado. Clínicas e farmácias que vendem esses medicamentos estão sendo pressionadas a revisar seus estoques e orientações aos clientes. Enquanto isso, pacientes ficam em dúvida: qual remédio realmente funciona? A resposta, como sempre, deve vir da ciência — não da publicidade.
A Justiça americana agora terá que decidir se a Eli Lilly ultrapassou os limites da propaganda honesta. Enquanto isso, no Brasil, a Anvisa já anunciou que vai avaliar o caso para verificar se há irregularidades que afetem o mercado nacional. A guerra entre as farmacêuticas promete deixar marcas, mas quem mais sofre são os pacientes, que precisam de informações claras para tomar decisões sobre sua saúde.