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Ana Clézia, voz gospel de Palmas, morre aos 38 anos após luta de 15 anos

Cantora tocantinense faleceu após sete dias internada no Hospital Geral de Palmas; irmã lembra de sua alegria e sonhos interrompidos

📝 Redação CCN18 de junho de 2026 às 02:15👁 1 leituras
Ana Clézia, voz gospel de Palmas, morre aos 38 anos após luta de 15 anos

A cantora gospel Ana Clézia, 38 anos, morreu na manhã desta terça-feira em Palmas, após sete dias de internação no Hospital Geral de Palmas (HGP). A artista, conhecida por sua voz marcante e presença cênica, convivia com problemas hepáticos há mais de uma década e enfrentava outras doenças crônicas. Segundo informações da família, ela não chegou a realizar o transplante de fígado indicado pelos médicos, decisão que selou um desfecho que deixou fãs e colegas de ministério em luto.

Ana Clézia fazia parte de um duo gospel com a irmã, Laudicéia Gomes, com quem se apresentava em igrejas e eventos religiosos pelo Tocantins e pelo Brasil. Em depoimento emocionado, Laudicéia descreveu a artista como uma pessoa "divertida, alegre e sonhadora", capaz de transformar até os momentos mais difíceis em oportunidades de alegria. "Ela sempre via o lado bom da vida, mesmo quando a saúde não colaborava", contou a irmã, que esteve ao lado de Ana Clézia durante toda a internação. A cantora entrou em coma no mesmo dia em que foi hospitalizada, segundo relatos da família, e não resistiu aos danos causados pela doença.

O caso de Ana Clézia expõe não só a fragilidade da saúde pública no Tocantins, mas também as dificuldades enfrentadas por pacientes que dependem de transplantes no estado. O Hospital Geral de Palmas, referência em atendimento terciário, tem enfrentado filas longas para procedimentos como o de fígado, com pacientes aguardando meses ou até anos por uma vaga. A morte da cantora reacende o debate sobre a necessidade de ampliar a rede de doadores e agilizar os processos no sistema de saúde tocantinense, especialmente para casos urgentes como o dela.

Para a comunidade gospel de Palmas, a perda é sentida de forma profunda. Ana Clézia fazia parte de um movimento que, nos últimos anos, tem ganhado visibilidade nacional, com artistas locais levando a música religiosa para além das fronteiras do estado. Em 2022, por exemplo, ela e a irmã se apresentaram em países da Europa, um marco para a cena gospel tocantinense. "Ela sonhava em gravar um disco internacional", lembrou Laudicéia, que agora precisa lidar com a ausência de quem dividia não só os palcos, mas também os sonhos.

A morte de Ana Clézia também coloca em evidência a importância do apoio familiar e da rede de solidariedade em casos de doenças crônicas. Em Palmas, onde a saúde pública enfrenta desafios constantes, histórias como a dela mostram como a resiliência das famílias se torna fundamental. A cantora deixou dois filhos, que agora precisam se adaptar a uma realidade sem a mãe que, apesar das limitações físicas, sempre buscou transmitir esperança e fé.

O velório de Ana Clézia ocorreu na tarde desta terça-feira, na Igreja Assembleia de Deus em Palmas, bairro Jardim Aureny III. A cerimônia reuniu dezenas de pessoas, incluindo amigos, familiares e membros da comunidade gospel local. A irmã Laudicéia anunciou que, em homenagem à cantora, o próximo trabalho musical do duo será lançado postumamente, como um legado de sua voz e de sua trajetória.

Enquanto a família se prepara para viver o luto, a pergunta que fica é: quantas outras Ana Clézias estão esperando por um transplante no Tocantins? A resposta, infelizmente, ainda é incerta. O que se sabe é que, para muitos, o tempo é o maior inimigo. E, no caso da cantora, ele não deu trégua.