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Mais pacientes recebem remédios para esclerose múltipla

Análise do Einstein Hospital Israelita mostra alta na distribuição pelo SUS entre 2019 e 2023, após atualização das diretrizes nacionais.

📝 Redação CCN24 de agosto de 2026 às 21:44👁 2 leituras
Mais pacientes recebem remédios para esclerose múltipla

A distribuição de medicamentos para esclerose múltipla cresceu no Brasil depois da revisão das diretrizes nacionais. A constatação aparece em uma análise de dados feita por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita, que avaliou o período entre 2019 e 2023.

O estudo relaciona a mudança ao novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da doença, atualizado em 2021 pelo Ministério da Saúde. Com a revisão, o Sistema Único de Saúde passou a ampliar o acesso a terapias consideradas mais eficazes para pacientes com formas mais agressivas da enfermidade.

Entre os resultados mais expressivos está o avanço da oferta de natalizumabe, remédio indicado para casos de maior atividade da esclerose múltipla. A distribuição do medicamento no SUS subiu 44,5% em todo o país no intervalo analisado. No mesmo recorte, também houve aumento no uso de outras terapias de alta eficácia e redução de fármacos injetáveis com menor desempenho clínico.

Os números ajudam a dimensionar uma mudança mais ampla no cuidado. O total de pacientes em tratamento pelo SUS cresceu 25,9% entre 2019 e 2023, sinalizando maior acesso à assistência especializada. Para os pesquisadores, a atualização do protocolo nacional alterou a lógica de escolha dos remédios e abriu caminho para migração mais frequente para opções terapêuticas mais potentes.

A análise também identificou uma expansão de 82% nas trocas de tratamento que levaram pacientes de uma terapia para outra de alta eficácia. Em sentido oposto, as substituições entre medicamentos de eficácia semelhante recuaram 54%, o que indica uma adoção mais alinhada às evidências científicas recentes.

O PCDT atualizado pelo Ministério da Saúde passou a recomendar o natalizumabe como primeira opção para pacientes com esclerose múltipla remitente-recorrente de alta atividade, inclusive sem exigência de falha prévia a outras terapias. A mudança reforça uma tendência de uso mais cedo de medicamentos considerados mais eficazes em situações específicas da doença.

Na prática, o efeito mais imediato para quem depende do SUS é a ampliação das alternativas de tratamento e a possibilidade de acesso a remédios com maior eficácia clínica. Para pacientes e serviços de saúde, isso significa um cenário com mais opções terapêuticas, embora a adoção dessas estratégias siga condicionada à avaliação médica e à organização da rede pública.

Os pesquisadores avaliaram os efeitos da atualização do protocolo nacional publicada em 2021 e observaram avanços na incorporação das terapias de alta eficácia. O movimento, agora, deve continuar sendo acompanhado por novas análises sobre acesso, perfil dos pacientes e uso dos medicamentos no sistema público.