Diácono afastado em Campina Grande após denúncias na UFCG
Antônio Lisboa Leitão de Souza, professor e diácono, foi demitido pela universidade e afastado pela Diocese após processo por assédio

A Diocese de Campina Grande anunciou nesta quarta-feira (15) o afastamento do diácono Antônio Lisboa Leitão de Souza, professor universitário que também foi demitido pelo Ministério da Educação (MEC) após um processo administrativo que investigou denúncias de assédio sexual e moral contra estudantes da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A decisão da Diocese veio após a repercussão do caso, que ganhou destaque na imprensa local e nacional nos últimos dias.
O caso ganhou força em maio, quando a UFCG instaurou um processo disciplinar contra o professor, então vinculado ao curso de Pedagogia. Segundo informações do MEC, o processo apurou relatos de estudantes que alegaram terem sido vítimas de assédio durante aulas e orientações acadêmicas. As denúncias incluíam comentários de cunho sexual, pressões psicológicas e condutas inadequadas em ambiente universitário. A universidade, ao concluir a investigação, encaminhou o processo ao MEC, que determinou a demissão do professor por justa causa. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União na última semana.
A Diocese de Campina Grande, ao tomar conhecimento do caso, afastou imediatamente o diácono de suas funções religiosas. Em nota oficial, a instituição afirmou que não tolera condutas que violem a dignidade humana e que aguardará o desfecho judicial para tomar medidas adicionais. O caso já havia gerado polêmica na comunidade acadêmica de Campina Grande, onde o professor atuava há mais de uma década. Estudantes e colegas de trabalho manifestaram surpresa com as acusações, mas também cobraram transparência na condução do processo.
A demissão do professor pela UFCG e o afastamento pela Diocese refletem a gravidade das acusações. Segundo o processo administrativo, as denúncias foram apresentadas por pelo menos cinco estudantes, que relataram episódios ocorridos entre 2019 e 2023. Entre os relatos, há menções a comentários sobre aparência física, convites inadequados e situações de constrangimento durante aulas e orientações de TCC. A universidade, em resposta ao MEC, destacou que seguiu todos os protocolos legais para apurar as denúncias, garantindo o direito de defesa ao professor.
O caso agora aguarda desdobramentos judiciais. A Justiça Federal da Paraíba já foi acionada por uma das vítimas, que busca indenização por danos morais. Além disso, a Ouvidoria da UFCG informou que mantém um canal aberto para receber novas denúncias, reforçando o compromisso da instituição com a segurança da comunidade acadêmica. A Diocese de Campina Grande, por sua vez, afirmou que não comentará o caso até a conclusão das investigações internas.
Para a população tocantinense, o episódio serve como um alerta sobre a importância de combater o assédio em ambientes acadêmicos e religiosos. Instituições de ensino e entidades religiosas precisam estar atentas a sinais de abusos e agir com rigor quando denúncias forem comprovadas. O caso de Campina Grande não é isolado: universidades brasileiras têm enfrentado cobranças por políticas mais efetivas de proteção a estudantes e servidores.
A próxima audiência judicial está marcada para agosto, quando o processo deve avançar. Enquanto isso, a Diocese de Campina Grande mantém o diácono afastado, e a UFCG reforça seus canais de denúncia. O caso continua aberto, e a sociedade aguarda por justiça.