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Katia Siqueira: 20 anos de luta contra a esclerose múltipla

Diagnóstico em 2005 mudou a rotina de Katia Guttler Siqueira, que transformou a doença em motivação para viver

📝 Redação CCN31 de agosto de 2026 às 10:17👁 17 leituras
Katia Siqueira: 20 anos de luta contra a esclerose múltipla

Em 2005, Katia Guttler Siqueira enfrentou o momento mais difícil de sua vida. Aos 35 anos, recém-casada e mãe de dois filhos, ela recebeu um diagnóstico que ninguém espera: esclerose múltipla. A doença, que afeta o sistema nervoso central, chegou sem aviso e alterou para sempre a rotina de uma mulher acostumada a planejar cada passo da família.

Os primeiros sinais não foram claros. Katia lembra de cansaço extremo, visão turva e dores que não tinham explicação. "Eu achava que era estresse, falta de sono", conta. Mas os sintomas pioraram até que, em uma consulta médica, o neurologista não teve dúvidas: era esclerose múltipla. A notícia caiu como um balde de água fria. "Eu tinha planos de ter mais filhos, de construir uma casa maior. De repente, tudo parecia incerto", diz.

A doença não escolhe idade nem classe social. Segundo dados da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), cerca de 40 mil brasileiros convivem com o diagnóstico, e a maioria deles são mulheres entre 20 e 40 anos — justamente a faixa etária em que Katia estava quando tudo começou. No Tocantins, não há números oficiais sobre casos registrados, mas a doença é monitorada pela Secretaria Estadual de Saúde, que orienta pacientes por meio de programas de acompanhamento neurológico.

Katia não se deixou abater. Em vez de se isolar, ela procurou informações, entrou em grupos de apoio e descobriu que a resiliência era sua maior aliada. "No começo, eu chorava muito. Depois, entendi que precisava viver, não sobreviver", explica. A rotina mudou: consultas mensais, medicamentos diários e uma alimentação rigorosa passaram a fazer parte do dia a dia. "Hoje, eu dirijo, trabalho, viajo. A doença existe, mas não define quem eu sou", afirma.

A esclerose múltipla é imprevisível. Em alguns pacientes, os sintomas vêm e vão; em outros, a progressão é rápida. Katia faz parte do primeiro grupo. Nos últimos 20 anos, ela teve momentos de remissão que permitiram manter uma vida ativa. "Eu não posso mais correr maratonas, mas caminho todos os dias. O importante é não parar", diz.

Para quem convive com a doença, o apoio familiar e médico é fundamental. No Tocantins, o Hospital Geral de Palmas (HGP) e o Hospital Regional de Araguaína são referências no atendimento neurológico, oferecendo consultas e exames para pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado. A Secretaria Estadual de Saúde também disponibiliza medicamentos gratuitos por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF), garantindo que ninguém fique sem tratamento.

Katia não esconde as dificuldades. "Tem dias que a fadiga é tanta que mal consigo me levantar. Mas eu aprendi a ouvir meu corpo e respeitar meus limites", conta. Ela também se tornou uma voz ativa na conscientização sobre a doença, participando de palestras em escolas e empresas de Palmas. "As pessoas precisam saber que a esclerose múltipla não é uma sentença. É um desafio, mas dá para viver bem", diz.

A história de Katia é um lembrete de que a saúde não é um caminho linear. Para quem recebe um diagnóstico semelhante, ela deixa uma mensagem clara: "Busque ajuda, não se isole. A vida continua, e você também".

Enquanto isso, Katia segue em frente, com planos de viajar para o exterior no próximo ano e, quem sabe, escrever um livro sobre sua trajetória. "Eu não sou minha doença. Sou muito mais do que isso", finaliza.