Defesa de policial recorre após caso ir para júri em Palmas
Advogado do PM vai aos tribunais superiores contra decisão da Justiça tocantinense 13/06/2024 Palmas

O advogado de um policial militar de Palmas anunciou nesta semana que vai recorrer da decisão que levou o caso do militar ao Tribunal do Júri. A defesa protocolou os recursos nos tribunais superiores do estado, contestando a decisão da Justiça tocantinense que considerou haver indícios suficientes para submeter o caso ao julgamento popular.
O policial, identificado como PM da 1ª Companhia do 1º Batalhão de Polícia Militar, responde a processo por suposta participação em um crime ocorrido em 2023 na região sul de Palmas. Segundo a defesa, a decisão de encaminhar o caso ao júri popular desconsiderou elementos técnicos apresentados nos autos, como laudos periciais e depoimentos que, na visão do advogado, afastariam a responsabilidade do militar. O processo tramita na Vara Criminal da Comarca de Palmas, sob o número 12345/2023.
A decisão de levar o caso ao júri foi tomada pelo juiz titular da 2ª Vara Criminal de Palmas, após análise de peças processuais e requerimentos do Ministério Público do Tocantins. O promotor responsável pelo caso argumentou que havia provas suficientes para configurar a materialidade e a autoria do delito, justificando a submissão ao julgamento popular. Agora, a defesa busca reverter essa decisão nos tribunais superiores, alegando que a prova testemunhal e documental não sustenta a acusação.
Para a população de Palmas, o desdobramento desse caso pode ter reflexos diretos na confiança em relação à atuação da Polícia Militar e ao sistema de Justiça local. Moradores da região sul da capital, onde o crime ocorreu, já haviam manifestado preocupação com a segurança pública na área, especialmente após relatos de abusos por parte de agentes de segurança. A decisão de submeter o caso ao júri, no entanto, também levanta discussões sobre a autonomia do Judiciário em avaliar provas técnicas versus a subjetividade do julgamento popular.
O advogado do policial, que atua há mais de vinte anos em casos envolvendo militares no Tocantins, afirmou que a estratégia é buscar a anulação do processo antes do julgamento pelo júri. "Não estamos questionando a Justiça, mas sim a forma como a prova foi avaliada. Há elementos que não foram devidamente considerados", declarou o defensor, que pediu anonimato para tratar do assunto. Segundo ele, a defesa já protocolou os recursos no Tribunal de Justiça do Tocantins e aguarda a resposta para ingressar com medidas nos tribunais superiores.
O Ministério Público do Tocantins, por meio de nota oficial, reafirmou que a decisão de submeter o caso ao júri foi baseada em critérios legais e na análise de provas. "O MP atua de acordo com a legislação e os fatos apresentados no processo. A decisão cabe ao Judiciário, que avaliou a existência de indícios suficientes", informou a assessoria de imprensa do órgão.
Enquanto os recursos tramitam, a rotina do policial segue alterada. Ele está afastado das atividades operacionais desde o início das investigações, em 2023, e aguarda o desfecho do processo para saber se poderá retornar às funções. A Polícia Militar do Tocantins, contatada pela reportagem, não se manifestou oficialmente sobre o caso, limitando-se a informar que segue os trâmites legais estabelecidos.
Para especialistas em Direito Penal ouvidos pela reportagem, o caso reforça a importância de uma análise criteriosa das provas antes de se decidir pela submissão ao júri popular. "O Tribunal do Júri é uma garantia constitucional, mas não pode ser usado como uma via para casos que não apresentam elementos mínimos de autoria e materialidade", avaliou um professor de Direito da Universidade Federal do Tocantins (UFT), que preferiu não ser identificado. Segundo ele, a discussão sobre a competência do júri versus a análise técnica é recorrente em casos envolvendo agentes de segurança, especialmente em contextos de alta tensão social.
O próximo passo da defesa é aguardar a decisão do Tribunal de Justiça do Tocantins sobre os recursos apresentados. Caso a instância estadual mantenha a decisão, o advogado já sinalizou que recorrerá ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou ao Supremo Tribunal Federal (STF), dependendo da argumentação jurídica a ser desenvolvida. Enquanto isso, a sociedade tocantinense acompanha de perto o desfecho, que pode influenciar não apenas a vida do policial, mas também a percepção sobre a atuação das forças de segurança no estado.