Jurados decidem caso Henry Borel nesta quinta no Rio
Após dez dias de julgamento, o maior da história do TJ-RJ, tribunal aguarda veredito sobre morte do menino de 4 anos
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro está na reta final do julgamento mais longo de sua história. Nesta quarta-feira (3), durante o décimo dia de audiências, os jurados devem concluir os debates sobre o caso Henry Borel, criança de 4 anos encontrada morta em março de 2021. O veredito sai até quinta-feira.
A morte do menino chocou o Brasil inteiro. Henry desapareceu de um apartamento no Condomínio Majestic, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Sua mãe, Monique Medeiros da Costa e Silva, e o padrasto, Jairinho Medeiros — ex-vereador pela cidade — foram acusados de homicídio doloso, ou seja, com intenção de matar.
Os investigadores reuniram provas de espancamento repetido e tortura. O laudo de necropsia indicou que Henry tinha trauma abdominal compatível com pancadas. Havia também marcas de agressão pelo corpo. A delegacia especializada em crimes contra crianças descobriu que o menino apresentava sinais de abuso há meses — algo que, segundo a polícia, a mãe conhecia e não impediu.
Monique trabalha como atriz e modelo. Jairinho tinha trânsito político na Assembleia Legislativa do Rio. Juntos, segundo a acusação, criaram uma rotina de abusos na privacidade do apartamento. Quando Henry começou a sangrar internamente durante a noite de 2 de março de 2021, levaram o menino ao hospital já em choque, sem sucesso médico possível.
O caso mobilizou redes de proteção à infância em todo o país. Organizações que trabalham com crianças vítimas de violência doméstica viram o caso como símbolo de um problema estrutural: quantas crianças sofrem assim sem que ninguém veja? Quantas mães silenciam por medo, dependência financeira ou manipulação? O caso Henry colocou essas perguntas na mesa da sociedade brasileira.
Durante o julgamento, testemunhas descreveram a vida do menino. Parentes falaram sobre mudanças de comportamento, medo excessivo, marcas de agressão que começaram meses antes da morte. Vizinhos relataram gritos e brigas no apartamento. A defesa tentou questionar a autoria, mas o volume de evidência reunida pela polícia pressionou o tribunal.
Para Tocantins e outras regiões do Brasil onde a proteção à infância ainda enfrenta desafios de recursos e acesso, o julgamento representa um marco importante. Mostra que, mesmo com dificuldades no sistema de justiça, é possível levar adiante investigações complexas de violência contra crianças. Também evidencia como a impunidade de abusos acontece quando o silêncio circunda as vítimas.
A sentença que sair desta semana afetará a vida de pessoas reais. Para a família de Henry, é a busca por alguma forma de justiça após perder uma criança de maneira tão brutal. Para profissionais de proteção à infância, é um sinal sobre como o sistema reage à violência contra menores. E para o país, é um lembrete de por que as denúncias importam — e por que quem presencia abuso contra crianças não pode ficar em silêncio.
Os jurados têm agora a responsabilidade de avaliar provas, testemunhas e argumentos para decidir se Monique e Jairinho mataram Henry. A sentença vai para além das duas pessoas no banco dos réus: toca em questões sobre vigilância comunitária, denúncia obrigatória e proteção real das crianças nas cidades brasileiras.