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Representatividade política das religiões afro ainda limitada

Nas eleições de 2026, adeptos de matrizes africanas reclamam invisibilidade, alerta comunidade religiosa reunida em Palmas

📝 Redação CCN•22 de setembro de 2026 às 01:00•👁 2 leituras
Representatividade política das religiões afro ainda limitada

Nas eleições de 2026, os adeptos das religiões de matriz africana ainda se deparam com quase total invisibilidade política, segundo líderes religiosos que se reuniram em Palmas para discutir a situação.

O sentimento de exclusão vem de um histórico marcado por preconceito e intolerância religiosa. Por gerações, praticantes dessas tradições foram marginalizados nos espaços de decisão, o que dificulta a candidatura de representantes que defendam seus interesses. A falta de espaços formais para a interlocução com partidos e autoridades eleitorais reforça a sensação de que a pauta afro‑brasileira permanece à margem do debate público.

Para quem vive em bairros como Vila Coração e Sudoeste, a ausência de representantes tem reflexos práticos. Projetos de valorização do patrimônio cultural, apoio a festas como o Tambor de Crioula, ou mesmo a liberação de recursos para manutenção de terreiros, correm risco de não ser contemplados nos planos municipais. Sem voz nas comissões eleitorais, a comunidade também perde a oportunidade de influenciar políticas de educação que incluam a história das religiões africanas nos currículos das escolas públicas de Palmas.

Praticantes, líderes religiosos e estudiosos apontam que a raiz do problema está na persistência de estigmas que ainda circulam entre eleitores e candidatos. Eles ressaltam que, apesar de alguns parlamentares terem manifestado apoio simbólico, a falta de propostas concretas nas plataformas de campanha deixa a demanda sem solução. A percepção de que o eleitorado ainda associa essas crenças a práticas negativas alimenta a relutância dos partidos em abrir vagas para representantes afro‑religiosos.

O próximo ciclo eleitoral traz consigo a necessidade de ações coordenadas. Organizações da sociedade civil já sinalizam a intenção de promover mesas de diálogo entre terreiros, universidades e a Justiça Eleitoral, visando criar mecanismos que garantam a presença desses grupos nas listas de candidatura. Enquanto isso, movimentos locais preveem a realização de caravanas informativas nos bairros do Centro e da Estrada Nova, buscando sensibilizar a população sobre a importância da diversidade religiosa para a identidade tocantinense.

O caminho ainda é longo, mas a mobilização em Palmas indica que a comunidade está disposta a transformar a invisibilidade em visibilidade nas urnas de 2026, exigindo espaço nos fóruns de decisão e, assim, fortalecer a representatividade das religiões de matriz africana no estado.