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Construtoras trocam bancos por fundos de investimento

Juros altos e demora no crédito tradicional levam empreiteiras a buscar recursos no mercado de capitais

📝 Redação CCN04 de junho de 2026 às 10:55👁 2 leituras
Construtoras trocam bancos por fundos de investimento

As construtoras brasileiras estão virando as costas para os bancos. A lentidão no crédito tradicional e os juros elevados criaram um vazio que o mercado de capitais está preenchendo com alternativas como os FIDCs — fundos de investimento em direitos creditórios.

O cenário é claro para quem trabalha na construção civil. Uma empreiteira precisa de dinheiro para começar uma obra. Há alguns anos, ela procurava um banco, apresentava seu projeto e recebia um financiamento. Era simples, previsível. Hoje a história é outra. A mesma construtora passa semanas esperando uma resposta. Enfrenta exigências cada vez mais rigorosas. E quando consegue a grana, os juros cobrados consomem uma fatia considerável do lucro que o projeto geraria.

Os bancos apertaram as regras. Isso ocorreu depois de crises anteriores que deixaram marcas. Agora eles preferem emprestar para setores que consideram menos arriscados. A construção civil, historicamente mais volátil, ficou na fila.

Entra em cena o mercado alternativo. Os FIDCs funcionam de forma distinta do modelo bancário tradicional. Esses fundos captam dinheiro de investidores e o vinculam ao cronograma real da obra. Isso quer dizer que o capital vai entrando conforme a construção avança — um modelo que se alinha muito melhor com como funciona uma empreitada de verdade.

Sem o banco no meio do caminho, o processo fica mais rápido. Também é mais flexível. Em muitos casos, sai mais barato que recorrer às instituições financeiras. Para uma construtora que estava apertada, isso faz toda a diferença.

A migração não é marginal. Quando as empreiteiras descobrem esse caminho alternativo, os bancos perdem receita de juros — muito dinheiro deixa de entrar nos cofres das instituições. Mas o fenômeno revela algo mais profundo: a saúde do crédito bancário no Brasil não está boa. Os bancos se fecharam. O mercado abriu portas.

Para o Tocantins, que tem na construção civil uma atividade importante para a economia — especialmente obras infraestruturais ligadas ao agronegócio e ao setor de energia — essa tendência importa. Construtoras locais que dependiam do crédito bancário ganham uma alternativa. Mas também ficam mais expostas a oscilações do mercado de capitais.

O impacto é duplo. De um lado, empreiteiras conseguem financiar suas obras com mais velocidade e custos menores. Isso acelera a execução de projetos e pode significar mais casas, prédios comerciais e infraestrutura sendo construída. De outro, os bancos perdem uma fonte importante de receita, o que pode levar a uma contração ainda maior na oferta de crédito para outros setores.

O grande desdobramento esperado é uma reorganização do mercado de crédito brasileiro. As instituições financeiras precisarão se adaptar ou perder ainda mais espaço. As construtoras, por sua vez, ganham flexibilidade mas também assumem novos riscos ao depender de investidores privados em vez de bancos com regulação mais rígida.

Para o consumidor final — quem vai comprar um imóvel ou usar uma infraestrutura construída — o efeito ainda é incerto. Mais projetos saindo do papel pode significar mais oferta e possível redução de preços. Mas também pode criar uma instabilidade se os investidores privados ficarem assustados e puxarem seus recursos.