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Fraudes de energia na Baixada Santista geram prejuízo milionário

CPFL identificou 811 irregularidades em cinco meses, com recuperação de 1,8 milhão de kWh em Santos e região

📝 Redação CCN25 de junho de 2026 às 23:48👁 8 leituras
Fraudes de energia na Baixada Santista geram prejuízo milionário

A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) Piratininga flagrou 811 casos de fraude e irregularidades no consumo de energia na Baixada Santista entre janeiro e maio de 2026. A operação, que partiu de 4.531 denúncias recebidas pela empresa, resultou em 1.260 inspeções técnicas e na recuperação de 1,8 milhão de quilowatts-hora (kWh) que haviam sido furtados. O volume de energia recuperado seria suficiente para abastecer cerca de 9 mil residências por um mês inteiro, segundo cálculos da própria concessionária.

O combate às fraudes não é novidade para a CPFL, mas a intensificação das ações na Baixada Santista chamou atenção pelo volume de irregularidades identificadas em um período relativamente curto. A região, que inclui municípios como Santos, São Vicente e Praia Grande, enfrenta há anos problemas recorrentes com ligações clandestinas e adulteração de medidores. Em 2025, por exemplo, a empresa já havia registrado mais de 2 mil casos de fraude em toda a sua área de concessão, que abrange 234 municípios paulistas. A prática não só prejudica a empresa, mas também afeta diretamente os consumidores regulares, que acabam arcando com os custos desse desvio por meio de reajustes tarifários.

Para os moradores da Baixada Santista, as consequências vão além do aumento na conta de luz. A energia furtada pode sobrecarregar a rede elétrica, gerando instabilidade no fornecimento e até mesmo riscos de curto-circuitos ou incêndios em instalações malfeitas. Além disso, a CPFL informou que, em casos extremos, as fraudes podem causar danos irreparáveis em equipamentos residenciais, como geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, devido a picos de tensão não previstos. A empresa já iniciou um processo de notificação aos responsáveis pelas irregularidades, que podem ser multados e até mesmo responder criminalmente, dependendo da gravidade do caso.

Os números revelam um cenário preocupante: em média, 162 irregularidades foram detectadas por mês na região durante o período analisado. A CPFL não divulgou detalhes sobre os métodos mais comuns de fraude, mas especialistas do setor costumam apontar para ligações diretas na rede, adulteração de medidores e uso de equipamentos não homologados. A empresa afirmou que as inspeções continuarão sendo realizadas de forma aleatória e também por denúncias, com foco em áreas com maior incidência de irregularidades.

A CPFL não informou se há previsão de ampliação das operações para outras regiões do estado, mas a empresa já anunciou que vai reforçar a fiscalização em pontos críticos da Baixada Santista. A concessionária também estuda parcerias com órgãos de segurança pública para coibir o crime, que muitas vezes envolve quadrilhas especializadas em desviar energia. Enquanto isso, os consumidores regulares seguem pagando a conta, literalmente, por um problema que não criaram.

A situação coloca em xeque não só a eficiência das fiscalizações, mas também a capacidade das concessionárias de combater um crime que se tornou endêmico em várias regiões do país. Em estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais, por exemplo, as perdas não técnicas — termo usado para fraudes e furtos — já ultrapassam 10% do consumo total de energia. No Tocantins, onde a CPFL também atua, os índices são menores, mas a empresa não descarta a possibilidade de aumentar as ações preventivas no estado, especialmente em municípios com crescimento populacional acelerado.