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Postura no celular: o que o corpo avisa antes de doer

Uso excessivo de smartphones pode causar dores crônicas e deformações — saiba identificar os sinais e agir antes que vire problema

📝 Redação CCN05 de julho de 2026 às 22:08👁 12 leituras
Postura no celular: o que o corpo avisa antes de doer

O celular, que já foi um luxo, hoje é uma extensão do corpo. Mas essa proximidade tem um preço: ombros caídos, pescoço curvado e dores que começam como um incômodo passageiro e viram rotina. Em Palmas, clínicas de fisioterapia relatam aumento de pacientes com queixas relacionadas à postura — muitos deles jovens entre 20 e 35 anos, faixa etária que mais usa o aparelho. O problema não é exclusivo da capital tocantinense: é uma epidemia silenciosa que afeta milhões de brasileiros, mas que ainda pode ser freada com mudanças simples.

A rotina de olhar para baixo, seja para mensagens, redes sociais ou até mesmo para digitar, força a coluna a suportar até cinco vezes o peso da cabeça. Um estudo da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, mostrou que inclinar o pescoço 60 graus — posição comum ao usar o celular — sobrecarrega a cervical com cerca de 27 quilos. Não é preciso ser especialista para entender que, com o tempo, essa pressão constante desgasta músculos, tendões e até os discos vertebrais. Em clínicas de fisioterapia de Palmas, fisioterapeutas como Ana Carolina Souza, que atende há dez anos na cidade, já identificam um padrão: pacientes que chegam com dores no trapézio, ombros e punhos, muitas vezes confundindo os sintomas com estresse ou cansaço.

O problema não é novo, mas a pandemia acelerou tudo. Com o home office e o isolamento social, o tempo de tela explodiu. Dados da Agência Brasil mostram que, em 2020, o brasileiro passou em média 5 horas por dia no celular — número que só cresceu. Em Tocantins, não foi diferente. A Secretaria de Saúde do estado registrou, nos últimos dois anos, um aumento de 30% nas consultas por dores musculoesqueléticas em adultos jovens, faixa etária que mais adere ao uso intensivo de dispositivos. A fisioterapeuta Ana Carolina conta que, antes da pandemia, recebia casos pontuais. Hoje, pelo menos três em cada dez pacientes chegam com queixas diretamente ligadas ao uso excessivo do celular.

Os sinais não são sutis. Antes de a dor se instalar de vez, o corpo dá avisos: formigamento nos dedos, tensão na nuca ao acordar, dificuldade para virar a cabeça sem estalo. Em casos mais avançados, a postura encolhida — ombros para frente, queixo projetado — pode até alterar a respiração, reduzindo a capacidade pulmonar. Em Palmas, a dona de casa Jéssica Lima, 28 anos, só percebeu o estrago quando acordou uma manhã com o braço direito dormente. "Achava que era estresse, mas o médico disse que era síndrome do pescoço de texto", conta. Ela precisou de três meses de fisioterapia para recuperar a mobilidade.

A boa notícia é que dá para reverter o quadro sem grandes sacrifícios. Pequenas mudanças no dia a dia fazem diferença: manter o celular na altura dos olhos, evitar mensagens longas com os polegares e fazer pausas a cada 30 minutos são atitudes que, segundo a fisioterapeuta Ana Carolina, já mostram resultados em poucas semanas. Empresas de Palmas, como uma rede de academias local, começaram a incluir alongamentos específicos para quem passa horas no celular nos intervalos de trabalho. "As pessoas não percebem, mas a postura ruim afeta até a autoestima", diz a profissional. Ela recomenda ainda exercícios de fortalecimento da cervical e alongamentos de punho, áreas mais afetadas.

Para quem já sente os primeiros sinais, a dica é procurar ajuda antes que o problema se agrave. Em Tocantins, a Secretaria de Saúde oferece atendimento gratuito em postos de fisioterapia, mas a fila de espera pode chegar a dois meses. Enquanto isso, especialistas sugerem que o usuário faça uma autoavaliação: ao usar o celular, observe se os ombros estão tensos, se a cabeça está projetada para frente ou se os dedos ficam doloridos após longas sessões. Se sim, é hora de agir. A tecnologia não vai desaparecer, mas o corpo pede socorro — e cabe a nós ouvir.

O que vem por aí? A tendência é que os aparelhos eletrônicos se tornem ainda mais integrados ao corpo, com realidade aumentada e interfaces cada vez mais intuitivas. Isso pode piorar o problema ou, se bem gerenciado, ajudar a criar soluções. Startups no Brasil já desenvolvem aplicativos que alertam quando a postura está inadequada, usando sensores do próprio celular. Enquanto isso não vira padrão, a responsabilidade recai sobre cada um. Afinal, o celular não vai embora — mas a saúde, sim, se não cuidarmos.