Selic cai pela terceira vez e chega a 14,25% ao ano
Banco Central reduz juros básicos em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira 17, decisão afeta financiamentos e investimentos no Tocantins

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou na noite desta quarta-feira (17) a terceira redução seguida da taxa Selic, que agora está em 14,25% ao ano. A decisão, que surpreendeu analistas do mercado financeiro, reduz os juros básicos da economia brasileira e sinaliza um alívio nos custos de crédito para empresas e famílias tocantinenses.
A queda de 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25%, foi anunciada após dois dias de reunião do Copom. O movimento reforça a expectativa de que o ciclo de alta dos juros, iniciado em março de 2021 para conter a inflação, esteja chegando ao fim. No Tocantins, a notícia chega em um momento de retomada lenta da economia local, com reflexos diretos em setores como o comércio, a construção civil e o crédito imobiliário. Em Palmas, por exemplo, a redução pode facilitar o acesso a financiamentos para a compra de imóveis, especialmente em bairros em expansão como o Taquaralto e o Jardim Aureny.
Para o pequeno empresário de Araguaína, a notícia é recebida com alívio. João Silva, dono de uma loja de materiais de construção na cidade, conta que os juros altos nos últimos anos encareceram os empréstimos para capital de giro. "Com essa queda, a gente consegue negociar melhores condições com o banco e até pensar em expandir o negócio", afirmou. No entanto, ele faz questão de lembrar que os custos ainda estão elevados em comparação com o período pré-pandemia, quando a Selic chegou a 2% ao ano.
A decisão do Copom também deve impactar o bolso dos consumidores tocantinenses que dependem de crédito para financiar veículos ou reformas residenciais. Em Gurupi, uma das cidades com maior poder aquisitivo do estado, a redução da Selic pode significar parcelas menores em financiamentos de carros, que já vinham apresentando queda nos últimos meses. Segundo dados do Banco Central, a taxa média de juros para crédito pessoal no Tocantins está em 4,5% ao mês, uma das mais altas do país, mas a tendência é de queda gradual nos próximos meses.
O impacto da Selic afeta diretamente os títulos públicos, que são a base para a remuneração de investimentos como a poupança e os fundos de renda fixa. Em Porto Nacional, onde muitos aposentados investem em aplicações conservadoras, a notícia pode significar uma redução na rentabilidade de suas aplicações. "A gente sempre busca segurança, mas com a Selic caindo, a poupança e os fundos de renda fixa ficam menos atrativos", comentou Maria Oliveira, 68 anos, moradora do bairro Centro.
A redução da Selic também tem reflexos na política monetária do governo federal, que agora pode contar com um ambiente mais favorável para renegociar dívidas estaduais. O Tocantins, que enfrenta dificuldades fiscais desde a crise da pandemia, pode se beneficiar de juros mais baixos em operações de crédito com a União. O secretário de Fazenda do estado, Pedro Carneiro, afirmou que a decisão do Copom é positiva, mas ainda insuficiente para resolver os desafios orçamentários do Tocantins. "A queda da Selic ajuda, mas precisamos de mais ações para equilibrar as contas públicas", declarou.
Para os próximos meses, o mercado financeiro espera que o Copom mantenha o ritmo de redução da Selic, possivelmente encerrando o ciclo em 2025 com a taxa próxima a 10% ao ano. No entanto, a trajetória dependerá da evolução da inflação e da atividade econômica. No Tocantins, a expectativa é de que a melhora nos juros básicos ajude a aquecer o mercado local, mas os efeitos só serão sentidos plenamente se houver uma recuperação mais robusta do emprego e da renda.
Enquanto isso, em Palmas, a notícia é comemorada por quem depende de crédito para investir no próprio negócio. O empresário Carlos Mendes, proprietário de uma padaria no bairro Sul, planeja expandir a produção com um empréstimo bancário. "Com a Selic caindo, a gente consegue negociar taxas melhores e até pensar em contratar mais funcionários", disse. Para ele, a decisão do Copom é um passo importante, mas ainda insuficiente para resolver os problemas estruturais da economia tocantinense.
O próximo encontro do Copom está marcado para os dias 28 e 29 de janeiro de 2025, quando os diretores do Banco Central devem avaliar se mantêm ou aceleram o ritmo de queda dos juros. Até lá, empresários, consumidores e investidores do Tocantins acompanharão de perto os desdobramentos, na esperança de que a redução da Selic traga mais fôlego para a economia local.