Copa do Mundo custa até US$ 17 bi em produtividade global
Estudo da UKG revela como o torneio impacta desempenho empresarial com atrasos, faltas e falta de concentração

A Copa do Mundo pode custar até 17 bilhões de dólares em produtividade para empresas em todo o mundo. O levantamento vem da UKG, uma plataforma de gestão de força de trabalho, e revela o tamanho real do impacto econômico que grandes eventos esportivos causam nas operações corporativas.
O estudo mapeou três problemas que explodem durante o torneio: atrasos na chegada ao trabalho, faltas não justificadas e o chamado presenteísmo — quando o funcionário está fisicamente no posto, mas sua mente está no jogo. Essa combinação cria um buraco financeiro considerável nas contas das organizações, desde pequenas startups até multinacionais.
Em países como Brasil, onde o futebol é praticamente religião nacional, o fenômeno é ainda mais pronunciado. Quem trabalha em Tocantins conhece bem essa realidade: quando a seleção joga, o ritmo das ruas muda, os escritórios esvaziam e a concentração desaparece. A diferença agora é que existe um número para quantificar essa perda.
O presenteísmo é talvez o vilão mais silencioso do trio. Diferentemente da falta absoluta — fácil de medir e documentar — ele é invisível nos registros de ponto. Um gerente sentado em sua mesa, checando o placar no celular a cada minuto, ou um analista que demora três horas para responder um e-mail simples porque está acompanhando a transmissão ao vivo. A produtividade cai sem deixar rastros nos sistemas tradicionais.
As faltas, essas sim visíveis, variam conforme a intensidade da competição. Partidas decisivas geram picos maiores de absenteísmo. Nos primeiros jogos da fase de grupos, quando ainda há esperança para todos os times, o impacto tende a ser menor. Mas conforme a competição avança e os jogos ficam mais emocionantes, cresce o número de trabalhadores que encontram desculpas — ou simplesmente desistem — para ficar em casa acompanhando.
Os atrasos aparecem de forma consistente. Nem sempre o funcionário falta por completo. Muitas vezes, ele chega tarde — argumentando trânsito, compromissos pessoais, ou simplesmente porque passou a madrugada acordado assistindo a um jogo em outro continente. Esses minutos e horas que se acumulam representam uma fatia considerável de tempo não trabalhado.
A UKG calculou esses três elementos e chegou ao número de 17 bilhões de dólares. Para colocar em perspectiva: é como se um país inteiro simplesmente parasse de produzir durante aquele período. Os números variam conforme a região e o tipo de indústria. Setores que podem operar de forma remota sofrem impactos diferentes daqueles que dependem de presença física contínua.
Empresas já começam a se preparar para esses períodos. Algumas estudam opções como horários flexíveis durante a Copa, reconhecendo que tentar forçar a produtividade normal é lutar contra a maré. Outras investem em políticas mais rígidas de controle. A verdade é que não existe solução mágica: o impacto econômico será real, independentemente das estratégias adotadas.
O estudo também reforça uma lição que gestores corporativos já conhecem há tempos: ignorar a realidade humana — que trabalhar durante a Copa é extraordinariamente difícil — resulta em problemas ainda maiores. Funcionários desmotivados e frustrados pela impossibilidade de acompanhar o torneio tendem a render ainda menos.
Para os negócios, a questão agora é como minimizar perdas. Para os trabalhadores, é um lembrete de que existe um custo real quando a paixão pelo futebol colide com as obrigações profissionais. E para a economia global, é simplesmente mais um exemplo de como eventos culturais massivos movem bilhões — nem sempre para melhor, do ponto de vista financeiro corporativo.