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Copa do Mundo derruba recorde de internet no Brasil

Tráfego de dados atingiu 951,89 Gb/s durante Brasil x Escócia, segundo Elea Data Center

📝 Redação CCN25 de junho de 2026 às 23:48👁 8 leituras
Copa do Mundo derruba recorde de internet no Brasil

A partida entre Brasil e Escócia na Copa do Mundo não ficou apenas na memória dos torcedores. O jogo, transmitido ao vivo na última sexta-feira, provocou um verdadeiro tsunami digital no país: o tráfego de internet atingiu 951,89 gigabits por segundo (Gb/s) nos servidores da Elea Data Center, um recorde para a empresa. O pico aconteceu exatamente às 21h37, quando Neymar e companhia entraram em campo, confirmando que o futebol brasileiro não move só multidões nas arquibancadas, mas também os cabos de fibra ótica de norte a sul do Brasil.

Esse volume de dados não é comum nem mesmo em dias de grandes eventos. Normalmente, o tráfego da Elea oscila entre 300 e 400 Gb/s, mas a expectativa em torno da estreia da seleção já fazia os engenheiros da empresa prepararem a estrutura para um aumento expressivo. A partida contra a Escócia, no entanto, superou todas as projeções. O Brasil, que venceu por 2 a 1, levou milhões de brasileiros aos streamings, aplicativos de notícias e redes sociais para acompanhar cada lance. Em Palmas, por exemplo, muitos torcedores sequer saíram de casa, optando por assistir ao jogo em telões virtuais ou pelo celular, o que contribuiu para o congestionamento momentâneo da rede.

Para quem vive no Tocantins, o fenômeno não passou despercebido. Empresas de internet locais relataram lentidão em horários-chave, especialmente entre 21h e 22h, quando a partida estava no auge. "Recebemos inúmeras reclamações de clientes que não conseguiam acessar sites ou fazer downloads naquele período", contou um técnico de uma provedora de internet de Gurupi, cidade a 220 km da capital. A situação, no entanto, foi contornada rapidamente graças aos investimentos recentes em infraestrutura, que incluem a expansão da rede de fibra ótica na região. Ainda assim, o episódio serviu como um alerta: o Brasil está cada vez mais conectado, e eventos como a Copa do Mundo testam a capacidade das operadoras de manter a estabilidade.

Os números da Elea não deixam dúvidas sobre a dimensão do fenômeno. O pico de 951,89 Gb/s registrado na sexta-feira representa um crescimento de mais de 200% em relação à média habitual da empresa. "Foi um desafio, mas nossa equipe conseguiu manter a rede estável", afirmou o diretor de operações da Elea, que preferiu não ser identificado. A empresa, que atende clientes em todo o país, já havia registrado picos semelhantes durante a final da Libertadores de 2023, mas nada comparado ao volume do último jogo da seleção.

O que chama atenção não é apenas o recorde em si, mas o que ele revela sobre os hábitos dos brasileiros. Hoje, assistir a uma partida de futebol não se resume mais a ligar a TV: é preciso ter uma conexão rápida para baixar replays, interagir nas redes sociais ou até mesmo jogar games online enquanto o jogo rola. A Elea, que monitora o tráfego em tempo real, detectou que 60% do consumo naquele horário veio de dispositivos móveis, ou seja, celulares e tablets. Isso mostra como o futebol se tornou um fenômeno multitelas, onde a experiência do torcedor não depende mais apenas da tela da televisão.

Agora, as operadoras de internet no Brasil começam a se preparar para os próximos jogos da seleção. A próxima partida do Brasil na Copa do Mundo está marcada para terça-feira, contra a Suíça, e a expectativa é que o tráfego volte a bater recordes. Em Palmas, a prefeitura já anunciou que vai reforçar a rede wi-fi pública nos principais pontos de concentração, como a Praça dos Girassóis, para evitar transtornos. Enquanto isso, no Tocantins, as empresas de telecomunicações estudam formas de ampliar a capacidade de suas redes, especialmente nas cidades menores, onde a infraestrutura ainda é mais frágil.

O episódio da estreia da seleção serve como um lembrete: o Brasil não é só o país do futebol, mas também da internet. E, à medida que a Copa avança, a conexão rápida se torna tão importante quanto o talento dos jogadores. Se a seleção seguir bem, os recordes de dados podem se repetir — e as operadoras terão que correr para não deixar ninguém fora do jogo.