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COP17 na Mongólia foca recursos para combater seca e desertificação

Negociações em Ulaanbaatar buscam acordos para restauração de solos e financiamento de projetos até sexta-feira

📝 Redação CCN24 de agosto de 2026 às 22:03👁 2 leituras
COP17 na Mongólia foca recursos para combater seca e desertificação

A 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (COP17) entrou na reta final de suas discussões em Ulaanbaatar, capital da Mongólia, com delegações de mais de cem países buscando fechar acordos sobre dois pontos críticos: a restauração de solos degradados e o financiamento de ações contra a seca. O evento, que se encerra na sexta-feira, tem chamado atenção não só pelo tema global, mas também pela urgência de medidas práticas que possam ser replicadas em regiões afetadas pelo avanço da desertificação, como o semiárido brasileiro.

A conferência, que começou na segunda-feira passada, reúne governos, organizações não governamentais e especialistas para debater como viabilizar recursos financeiros capazes de sustentar projetos de longo prazo. A seca prolongada em várias partes do mundo, incluindo áreas do Tocantins, tem tornado esse debate ainda mais relevante. No estado, a estiagem recorrente afeta diretamente a agricultura familiar, a pecuária e até mesmo o abastecimento de água em municípios menores, como nos vales do Araguaia e do Bico do Papagaio.

Enquanto as negociações avançam em Ulaanbaatar, a discussão sobre como garantir fundos para restauração de solos ganha força. A proposta em pauta prevê a criação de um mecanismo internacional de financiamento que possa apoiar países em desenvolvimento a implementar técnicas de recuperação de terras degradadas. No Brasil, o tema já é discutido há anos, mas a falta de recursos específicos para ações locais continua sendo um gargalo. Em 2023, por exemplo, o Ministério do Meio Ambiente destinou cerca de R$ 50 milhões para projetos de combate à desertificação em nove estados, incluindo o Tocantins, mas o valor é considerado insuficiente diante da extensão do problema.

O Tocantins, que tem 60% de seu território classificado como semiárido, já enfrenta os efeitos da degradação do solo em municípios como Gurupi, Porto Nacional e Paraiso do Tocantins. A região do Jalapão, conhecida por suas dunas e vegetação típica, também registra perdas de produtividade em áreas de agricultura familiar. Segundo dados da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, mais de 30% dos solos tocantinenses apresentam algum grau de degradação, o que compromete a segurança alimentar e a economia local.

As discussões na COP17 incluem ainda a troca de experiências entre países que já adotam modelos bem-sucedidos de restauração. O Marrocos, por exemplo, tem investido em técnicas de reflorestamento com espécies nativas para conter o avanço do deserto do Saara, enquanto a Austrália desenvolve projetos de manejo de água em regiões áridas. Para o Tocantins, a adoção de práticas similares poderia significar uma virada na gestão dos recursos hídricos e na produtividade agrícola, setores que empregam milhares de famílias no estado.

A expectativa é que os acordos fechados em Ulaanbaatar resultem em compromissos concretos até o final da semana. No entanto, a implementação dessas medidas dependerá da vontade política dos países signatários e da capacidade de mobilizar recursos. Enquanto isso, no Tocantins, a população segue atenta às previsões climáticas e às ações do governo estadual, que promete lançar um plano emergencial para recuperação de áreas degradadas ainda este ano.

A COP17 não é apenas um evento de discussão teórica. Para o Tocantins, ela representa a chance de pressionar por mais investimentos em uma pauta que afeta diretamente a vida de quem depende da terra para sobreviver. Se os acordos saírem do papel, a restauração de solos poderá se tornar não só uma necessidade ambiental, mas também uma oportunidade de desenvolvimento econômico para o estado.