Ex-assistente revela rotina de controle e abuso na rede de Epstein
Ex-funcionária do financista americano conta como era manipulada e explorada sexualmente em depoimento à BBC

Uma ex-assistente de Jeffrey Epstein, o financista americano condenado por tráfico sexual, descreveu em detalhes inéditos como era a rotina dentro de sua organização. Em depoimento à BBC, ela revelou que as mulheres recrutadas para trabalhar em sua equipe eram submetidas a um sistema de controle psicológico e ameaças, além de serem obrigadas a participar de encontros com homens poderosos. O relato, feito por uma das poucas sobreviventes a aceitar falar publicamente, lança luz sobre os bastidores de uma das redes de exploração mais notórias dos últimos anos.
A ex-assistente, que pediu anonimato, contou que Epstein usava a promessa de oportunidades profissionais para atrair mulheres jovens e vulneráveis. "Ele oferecia dinheiro, viagens e uma carreira promissora, mas tudo fazia parte de um jogo de manipulação", afirmou. Segundo ela, as funcionárias eram vigiadas constantemente, tinham o uso de celulares e redes sociais restrito, e eram obrigadas a seguir regras rígidas, como não questionar ordens e manter sigilo absoluto sobre o que viam. "Qualquer deslize poderia resultar em demissão imediata ou, pior, em represálias físicas ou psicológicas", declarou.
O depoimento reforça o que já se sabia sobre a estrutura de poder montada por Epstein. Em 2008, ele foi condenado por prostituição infantil em um acordo judicial que, na época, foi visto como brando. A ex-assistente afirmou que, mesmo após a prisão, o financista continuou a operar sua rede de exploração com a ajuda de cúmplices, incluindo mulheres que atuavam como suas assistentes pessoais. "Ele tinha um exército de pessoas ao redor, todas com medo de falar", disse. O relato também menciona que algumas vítimas eram submetidas a cirurgias estéticas para atender aos padrões de beleza impostos por Epstein, que controlava até mesmo a aparência de suas funcionárias.
A história ganha relevância no Brasil, onde casos de exploração sexual e tráfico de pessoas ainda são frequentes, especialmente em regiões com grande fluxo de turistas e negócios internacionais. Em 2023, o país registrou mais de 1,5 mil denúncias de tráfico de pessoas, segundo dados do Ministério da Justiça. Para especialistas ouvidos pela Capital da Notícia, a narrativa da ex-assistente reforça a necessidade de fiscalização mais rigorosa em ambientes corporativos e sociais onde mulheres jovens são alvos fáceis de predadores.
O depoimento à BBC não é o primeiro a expor os métodos de Epstein. Em 2019, após sua prisão por novos crimes sexuais, várias mulheres vieram a público com relatos semelhantes, incluindo a modelo Ghislaine Maxwell, sua parceira nos negócios e na exploração. Maxwell foi condenada em 2021 por tráfico sexual e cumpre pena de 20 anos. A ex-assistente, no entanto, é uma das poucas a detalhar como as assistentes eram treinadas para facilitar os abusos, agindo como intermediárias entre Epstein e suas vítimas.
A Justiça americana ainda investiga a rede de contatos de Epstein, que incluía políticos, empresários e celebridades. No Brasil, a Polícia Federal já identificou casos de brasileiras que teriam sido aliciadas por intermediários para trabalhar em propriedades do financista nos Estados Unidos. "Essa história não é apenas americana. Ela mostra como a exploração sexual pode se infiltrar em qualquer sociedade, inclusive na nossa", afirmou uma fonte da PF, que preferiu não ser identificada.
O caso de Epstein também reacendeu debates sobre a impunidade de crimes sexuais contra mulheres, especialmente quando envolvem figuras poderosas. No Tocantins, onde a violência contra a mulher é uma realidade preocupante, a história serve como alerta para a necessidade de políticas públicas mais eficazes. Em 2023, o estado registrou um aumento de 12% nos casos de estupro, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. "Precisamos estar atentos. Muitas mulheres ainda têm medo de denunciar, seja por vergonha ou por falta de confiança nas instituições", disse uma ativista local.
A ex-assistente, que hoje vive sob proteção, afirmou que seu maior arrependimento é não ter denunciado Epstein antes. "Eu pensava que estava segura porque trabalhava para ele, mas na verdade era uma prisioneira", declarou. Seu relato será usado em futuras investigações, mas a Justiça americana ainda não se pronunciou sobre novas ações contra a rede de Epstein. Enquanto isso, a sociedade segue dividida entre a indignação e a busca por justiça.