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Mel brasileiro sustenta 83% do orgânico nos EUA sem Trump saber

Empresária relata desconhecimento da origem do produto em reunião com governo americano em 2024

📝 Redação CCN01 de julho de 2026 às 10:07👁 11 leituras
Mel brasileiro sustenta 83% do orgânico nos EUA sem Trump saber

A empresária Joelma Lambertucci de Brito levou um susto em Washington. Durante um encontro com integrantes do governo Donald Trump para discutir tarifas comerciais, um deles confessou que consumia mel diariamente sem saber que 83% do produto orgânico importado pelos Estados Unidos vinha do Brasil. A revelação, feita em tom de surpresa, expôs uma realidade que muitos nos EUA ignoram: o Brasil é o grande fornecedor de mel para o mercado americano, tanto na versão orgânica quanto na convencional.

A cena aconteceu durante um trabalho de lobby para tentar livrar o mel brasileiro de novas tarifas impostas pelo governo Trump. Segundo Joelma, que representa produtores nacionais, a reação do funcionário americano não foi isolada. "Eu consumo esse mel todo dia e não sabia que vinha do Brasil" foi a frase que ela ouviu de um membro da equipe de Trump, segundo relato da empresária. Os números reforçam a dependência dos EUA em relação ao produto brasileiro: 75% do mel convencional importado pelos americanos tem origem no Brasil, enquanto a participação do mel orgânico nacional chega a 83%.

Especialistas do setor ouvidos pela reportagem confirmam que o Brasil domina o mercado americano de mel há anos, mas a falta de conhecimento sobre a origem do produto nos EUA surpreende até mesmo quem trabalha diretamente com exportações. A dependência é tamanha que, sem o mel brasileiro, o abastecimento nos supermercados americanos sofreria um impacto imediato. Para o Tocantins, estado que responde por grande parte da produção nacional, a notícia reforça a importância do setor apícola, que gera empregos e renda em municípios como Porto Nacional e Natividade.

A reunião em Washington ocorreu em um momento delicado para os exportadores brasileiros. O governo Trump havia anunciado novas tarifas sobre produtos importados, e o mel estava na lista de itens que poderiam ser atingidos. A inclusão do produto na relação de isenções, no entanto, era estratégica: o Brasil é o segundo maior exportador de mel para os EUA, atrás apenas da Índia, mas com vantagem de qualidade e preço competitivo. Joelma e outros representantes do setor argumentaram que tarifar o mel brasileiro poderia causar desabastecimento e prejudicar consumidores americanos, que pagariam mais caro pelo produto.

Os dados da Receita Federal brasileira mostram que, em 2023, o país exportou mais de 30 mil toneladas de mel, sendo 40% destinados aos Estados Unidos. O valor total das vendas superou US$ 100 milhões, um montante que sustenta milhares de famílias no campo. No Tocantins, a cadeia produtiva do mel movimenta cerca de R$ 50 milhões anuais, segundo a Federação das Indústrias do Estado (FIETO). A notícia de que até mesmo o governo americano desconhecia a dependência do produto brasileiro coloca em evidência a força do setor no Brasil, mas também levanta questões sobre como o país pode usar essa posição para negociar melhores condições comerciais.

Para Joelma, a reação do funcionário americano é um sinal de que o Brasil precisa investir mais em marketing e na valorização da marca "mel brasileiro". "Eles não sabem que estão comendo um produto nosso todos os dias", afirmou. A empresária agora planeja levar a discussão para outros fóruns, incluindo a Organização Mundial do Comércio, para evitar que novas barreiras comerciais prejudiquem o setor. Enquanto isso, produtores tocantinenses e de outros estados brasileiros seguem firmes na produção, cientes de que o mel nacional não é apenas um item de consumo, mas uma peça-chave na balança comercial do país.

O caso também expõe a fragilidade de políticas comerciais que não levam em conta a dependência mútua entre países. Nos EUA, a notícia gerou debates sobre a necessidade de diversificar as fontes de importação, enquanto no Brasil, a discussão gira em torno de como garantir que a produção nacional continue competitiva. Com a safra 2024/2025 já em andamento, o setor apícola brasileiro se prepara para mais um ano de desafios e oportunidades, com a certeza de que o mel do país tem peso global, mesmo que muitos ainda não saibam disso.