Fim da taxa das blusinhas depende de acordo no Congresso
Medida provisória que isenta importação de itens até US$ 50 tramita na Câmara; presidente da comissão defende texto original

O Congresso Nacional analisa a proposta para eliminar a taxa de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, mas o texto final ainda depende de negociações entre os parlamentares. A medida provisória que trata do assunto está em discussão na Câmara dos Deputados, onde o presidente da comissão especial criada para avaliar o tema afirmou que a orientação do governo é manter o conteúdo original enviado pelo Executivo para garantir a aprovação da proposta.
A discussão ganhou força após o aumento das compras online de produtos de baixo valor, que muitas vezes enfrentavam cobranças adicionais no momento da entrega. A isenção, se aprovada, beneficiaria diretamente consumidores que compram itens como roupas, acessórios e pequenos eletrônicos em plataformas estrangeiras. No entanto, a proposta enfrenta resistência de setores que argumentam que a medida poderia prejudicar a indústria nacional, especialmente em segmentos que competem com produtos importados de baixo custo.
O texto da medida provisória foi enviado pelo governo federal com o objetivo de simplificar o processo de importação de itens de pequeno valor, alinhando o Brasil a práticas adotadas por outros países. Atualmente, compras acima de US$ 50 já são isentas de taxas, mas itens abaixo desse valor ainda sofrem cobranças, o que, segundo defensores da mudança, desestimula o comércio eletrônico e onera o consumidor. A proposta prevê que, a partir de sua vigência, todas as compras internacionais de até US$ 50 sejam liberadas sem taxas adicionais, independentemente do meio de pagamento ou da plataforma utilizada.
O presidente da comissão especial da Câmara, responsável por analisar a medida, declarou que a estratégia é manter o texto original para evitar que emendas parlamentares diluam o objetivo da proposta. "A orientação é clara: precisamos aprovar o texto como veio do Executivo para que a medida tenha efeito imediato", afirmou. Segundo ele, qualquer alteração significativa poderia inviabilizar a isenção ou atrasar sua implementação, o que prejudicaria tanto os consumidores quanto as empresas que dependem do comércio internacional.
A discussão no Congresso ocorre em um momento de pressão por parte de entidades representativas do varejo online, que defendem a medida como uma forma de modernizar as regras de importação e reduzir custos para os brasileiros. Em contrapartida, sindicatos da indústria local alertam para o risco de desequilíbrio no mercado, especialmente em setores como têxtil e calçadista, que já enfrentam concorrência de produtos importados. A proposta, no entanto, não prevê compensações ou proteções específicas para esses segmentos, o que aumenta a polarização entre os parlamentares.
A medida provisória tem validade de 60 dias, prorrogáveis por igual período, e precisa ser aprovada pelo Congresso para se tornar lei. Caso não haja consenso, a proposta pode ser arquivada ou sofrer alterações que modifiquem seu alcance original. Enquanto isso, o governo mantém a expectativa de que a isenção seja implementada ainda este ano, com impacto imediato no bolso dos consumidores que realizam compras internacionais.
Os próximos passos incluem audiências públicas na comissão especial e possíveis ajustes no texto para acomodar interesses divergentes. Parlamentares de diferentes partidos já sinalizaram disposição para negociar, mas a definição do texto final ainda está em aberto. A votação na comissão deve ocorrer nas próximas semanas, com a possibilidade de o tema ir ao plenário da Câmara em seguida.