Calvet Filho pode perder direitos políticos por racismo religioso
Ex-prefeito de Rosário condenado em primeira instância ainda pode recorrer da decisão que o torna inelegível e passível de prisão

O ex-prefeito de Rosário, Calvet Filho, foi condenado por racismo religioso em primeira instância, o que pode levá-lo à inelegibilidade e até à prisão. A decisão, no entanto, não produz efeitos imediatos porque ele ainda tem o direito de apresentar recursos contra a sentença. O caso ganhou repercussão no Tocantins por envolver um ex-gestor público e levantar discussões sobre intolerância religiosa no estado.
A condenação de Calvet Filho foi proferida em Rosário, cidade localizada a cerca de 120 km de Palmas, e está diretamente ligada a um processo que tramitou na Justiça estadual. Segundo informações do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), a sentença ainda não transitou em julgado, ou seja, não é definitiva. Isso significa que, enquanto os recursos não forem julgados, o ex-prefeito mantém seus direitos políticos e não precisa cumprir eventual pena. A defesa de Calvet Filho já anunciou que vai recorrer da decisão, o que deve prolongar o processo por meses ou até anos.
Para os moradores de Rosário e de outras cidades tocantinenses, o caso traz à tona uma questão sensível: a convivência entre diferentes crenças religiosas. Em um estado onde a diversidade religiosa é marcante, casos como esse reforçam a necessidade de fiscalização e punição a atos de intolerância. Além disso, a possibilidade de inelegibilidade de um ex-prefeito chama atenção para os reflexos políticos que uma condenação por racismo religioso pode ter. Em Rosário, por exemplo, a população acompanha de perto o desdobramento do caso, que pode influenciar futuras eleições municipais.
O processo contra Calvet Filho teve origem em denúncias de práticas discriminatórias contra seguidores de religiões de matriz africana. A promotoria pública do Tocantins argumentou que o ex-prefeito teria adotado medidas administrativas que restringiam o acesso de praticantes de religiões afro-brasileiras a serviços públicos na cidade. A defesa, por sua vez, nega as acusações e alega que as ações foram tomadas com base em legislação municipal, sem qualquer viés discriminatório.
O TJTO não divulgou detalhes específicos sobre a sentença, como o tempo de pena ou o valor da multa aplicada, mas confirmou que a condenação por racismo religioso pode resultar em inelegibilidade por até oito anos, conforme prevê a Lei 7.716/1989. Além disso, a pena de prisão pode variar de dois a cinco anos, dependendo da gravidade dos atos comprovados. A decisão ainda pode ser revista em instâncias superiores, como o Tribunal Regional Federal (TRF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Enquanto o caso não é encerrado, a população tocantinense segue atenta. Em Palmas, por exemplo, entidades de defesa dos direitos humanos já se manifestaram sobre a importância de combater a intolerância religiosa. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Tocantins também acompanha o processo, destacando que a Justiça deve agir com rigor em casos que envolvem direitos fundamentais. Para Calvet Filho, o caminho agora é longo: ele terá que apresentar recursos e aguardar a decisão de instâncias superiores, enquanto a sociedade debate os limites entre liberdade religiosa e atos de discriminação.
O desfecho do caso ainda é incerto, mas uma coisa é clara: a condenação em primeira instância já coloca o nome de Calvet Filho em uma lista que nenhum gestor gostaria de integrar. No Tocantins, onde a fé e a política muitas vezes se entrelaçam, o episódio serve como um alerta para que os direitos de todos sejam respeitados, independentemente da crença que professam.