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Comunidades fazem ato para defender o Pedral do Lourenço

Ribeirinhos, cientistas e movimentos sociais se mobilizam nesta semana no Pedral do Lourenço, no rio Tocantins, em Itupiranga, no sudeste do Pará

📝 Redação CCN21 de agosto de 2026 às 10:52👁 2 leituras
Comunidades fazem ato para defender o Pedral do Lourenço

Ribeirinhos, pesquisadores e movimentos sociais voltaram a se mobilizar nesta semana para tentar proteger a área do Pedral do Lourenço, no rio Tocantins, em Itupiranga, no sudeste do Pará. A ação ganhou novo fôlego após a declaração de um “tombamento popular” do trecho, em meio à disputa sobre a obra de derrocamento prevista para o local.

O movimento reúne comunidades tradicionais e cientistas que defendem a preservação do pedral diante do avanço do projeto de abertura da hidrovia no Tocantins. O objetivo dos participantes é barrar a retirada das rochas do leito do rio, medida que integra o plano federal para ampliar a navegação na região. O trecho em discussão fica entre Marabá e Itupiranga e é apontado como uma formação rochosa que interfere na passagem de embarcações, especialmente no período de estiagem.

Para quem vive da beira do rio e depende dele no dia a dia, a discussão vai além da navegação. A área reúne comunidades ribeirinhas e outras populações tradicionais que temem mudanças no curso do rio e efeitos sobre pesca, circulação e atividades ligadas à subsistência. Em uma região em que o Tocantins faz parte da rotina econômica e social, qualquer intervenção desse porte mexe com o trabalho de famílias, com o transporte fluvial e com o equilíbrio de áreas usadas há gerações.

Os registros mais recentes mostram que a disputa em torno do Pedral do Lourenço não é nova. Em 29 e 30 de setembro de 2025, representantes da Justiça Federal e do Ministério Público Federal fizeram uma inspeção judicial nas comunidades que podem ser afetadas pela obra. Na ocasião, a apuração teve como foco ouvir os moradores sobre os possíveis efeitos socioambientais da intervenção, prevista no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A obra, porém, já vinha cercada de controvérsia.

Há decisões judiciais recentes que também entraram no centro do embate. Em 2025, a Justiça Federal suspendeu o início dos trabalhos e anulou a licença ambiental emitida pelo Ibama. Mais tarde, em 23 de dezembro de 2025, outra decisão autorizou a continuidade das obras de derrocagem por explosão de rochas na área conhecida como Pedral do Lourenço, embora tenha reconhecido a necessidade de consulta prévia às comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas.

Os dados citados nos registros mostram a dimensão do empreendimento. O Pedral do Lourenço é descrito como um trecho rochoso do rio Tocantins com 43 quilômetros de extensão. Em outro material oficial, a obra é apresentada como etapa para viabilizar a navegabilidade em um trecho de 500 km, de Marabá até o porto de Vila do Conde, em Barcarena. Também há referência a um canal navegável de cerca de 140 metros de largura após a retirada das rochas. Uma outra fonte informa que a licença de 2025 permitiria intervenções em determinados trechos do rio para efetivar o derrocamento.

Mesmo com as decisões e licenças ao longo do processo, a reação das comunidades segue firme. O novo ato simbólico tenta dar visibilidade ao tema e manter a pressão sobre os órgãos responsáveis. Agora, a atenção se volta aos próximos passos da disputa, que deve continuar no campo judicial e também na arena política, com impacto direto sobre o futuro da navegação e sobre a vida de quem depende do rio Tocantins no sudeste do Pará.