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Entretenimento redefine mercado de varejo em shoppings e centros

Estudo mostra que negócios de lazer ocupam 1,5 milhão de m² e viram solução para vacância imobiliária

📝 Redação CCN04 de junho de 2026 às 11:52👁 2 leituras
Entretenimento redefine mercado de varejo em shoppings e centros

O setor de entretenimento virou a aposta principal dos investidores imobiliários para preencher espaços vazios em shoppings e centros comerciais. Dados da consultoria JLL, apresentados pela Forbes, revelam que negócios focados em experiências presenciais já ocupam 1,5 milhão de metros quadrados em imóveis de varejo.

Essa transformação não é acidental. Nos últimos anos, o comércio tradicional — aquele de lojas de roupas, sapatos e departamentos — passou por uma crise estrutural. A chegada do e-commerce acelerou a migração de clientes para compras online, deixando galpões inteiros vazios em shopping centers que sempre foram redutos da classe média urbana. Proprietários e administradoras de imóveis enfrentavam uma conta cara: imóvel vago gera despesa, não renda.

É aí que entra o entretenimento. Cinemas, academias, escolas de dança, parques de trampolim, espaços para jogos eletrônicos, bares temáticos — negócios que não podem ser feitos em casa começaram a ocupar os espaços ociosos. Diferente de comprar uma roupa na internet, você não consegue experimentar um cinema ou uma aula de boxe pelo computador. Essas atividades exigem presença física e, portanto, trazem público.

Para o setor imobiliário, isso resolve um problema urgente. O varejo tinha desocupação crescente, e proprietários precisavam de inquilinos dispostos a assinar contratos de longa duração. O entretenimento oferecia exatamente isso: demanda real, fluxo de pessoas e contratos estáveis. Para os empresários de entretenimento, havia oportunidade clara: aluguéis menores que em pontos centrais tradicionais, mas em locais com acesso garantido.

No Tocantins, onde a malha urbana ainda está em formação e o varejo convencional também sente os efeitos da digitalização, esse movimento chega como tendência nacional. Shoppings em Palmas podem se beneficiar dessa reconfiguração, transformando espaços vazios em polos de lazer que atraem famílias e grupos de amigos — movimento que já ocorre em capitais maiores como Brasília e Goiânia.

O estudo da JLL mostra que investidores enxergam isso como solução estrutural, não como modismo. A ocupação de 1,5 milhão de metros quadrados representa uma parcela significativa do mercado de varejo. Significa que proprietários de imóveis deixaram de brigar apenas para atrair lojas de departamentos — negócio que não cresce mais — e começaram a estimular modelos de negócio que funcionam em ambiente físico.

Isso traz consequências reais. Lojistas tradicionais que resistem à transformação enfrentam concorrência por espaço. Franquias de entretenimento crescem porque o mercado favorece sua expansão. Consumidores ganham com a diversidade de opções no mesmo local. Proprietários de imóveis recuperam rentabilidade. Mas também há perdedores: lojas menores, varejistas independentes que não conseguem competir com grandes operadores de entretenimento e seus capitais para reformas e marketing.

Para frente, essa tendência tende a se aprofundar. Marcas de entretenimento já planejam expansões agressivas aproveitando a oferta de imóveis baratos. Shoppings abandonam a identidade pura de comércio e se reinventam como centros de experiência. O varejo não desaparece, mas muda de função: menos lugar para comprar coisas, mais espaço para viver experiências que justifiquem sair de casa.

A prova está nos números: quando uma consultoria global como a JLL dedica estudo a esse movimento, é porque ele virou relevante demais para ignorar. E quando investidores colocam dinheiro em entretenimento baseado em localização física, apostam que esse é o futuro do varejo — não o passado.