PSOL/Rede oficializa Witer Naves como candidato ao governo do Tocantins
Convenção em Palmas lança pré-candidato do partido para o Palácio Araguaia com foco em 2026

A federação PSOL/Rede realizou na noite de ontem, no auditório do Hotel Fazenda Colina, no setor Santa Fé, em Palmas, a convenção que oficializou Witer Naves como pré-candidato ao governo do Tocantins. O evento, marcado para as 19h, reuniu cerca de 200 militantes e simpatizantes, que acompanharam a definição da chapa que disputará o Palácio Araguaia nas eleições de 2026.
A escolha de Witer Naves não surpreendeu os círculos políticos locais. O nome do pré-candidato já circulava há meses entre os aliados do PSOL e da Rede no estado, especialmente após a decisão da federação de não renovar a aliança com o PT, partido com o qual disputou as eleições municipais de 2024 em várias cidades tocantinenses. Em Gurupi, por exemplo, a federação apoiou o candidato do PT, enquanto em Araguaína optou por lançar candidatura própria. Agora, a estratégia é focar em uma campanha estadual, com Witer Naves como cabeça de chapa.
O evento em Palmas contou com a presença de lideranças nacionais do PSOL, como a deputada federal Sônia Guajajara, que reforçou a importância de uma candidatura progressista no Tocantins. "Aqui não é só mais um estado, é um território onde a luta pela reforma agrária e pelos direitos indígenas precisa ganhar voz", declarou Guajajara durante seu discurso. Além dela, o deputado estadual Cláudio Muca, do PSOL, também participou da convenção, destacando que a candidatura de Witer Naves representa uma alternativa aos modelos tradicionais de política no estado.
Para quem vive em Palmas, a notícia pode parecer distante das preocupações cotidianas, mas a definição de uma chapa estadual afeta diretamente serviços públicos, obras e até mesmo a segurança nas cidades. Em 2024, o Tocantins enfrentou uma série de greves em hospitais e escolas, além de problemas recorrentes no transporte público. A campanha de 2026 promete colocar em pauta questões como a saúde pública — com hospitais como o Regional de Araguaína e o Materno Infantil de Palmas sempre em evidência — e a educação, que ainda sofre com a falta de investimentos em infraestrutura nas escolas estaduais.
Witer Naves, que já foi secretário de Estado da Agricultura, tem como uma de suas bandeiras a reforma agrária, tema sensível no Tocantins, onde conflitos por terras são frequentes, especialmente nas regiões de Dianópolis e Porto Nacional. A candidatura também deve abordar a economia local, fortemente dependente da agropecuária e do comércio, setores que enfrentam desafios com a seca prolongada e a concorrência de estados vizinhos.
A convenção deixou claro que o PSOL/Rede não vai poupar críticas ao governo atual, liderado pelo governador Wanderlei Barbosa (PSD), que tem enfrentado denúncias de irregularidades em obras públicas e suspeitas de favorecimento em contratos. Em junho deste ano, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) abriu uma investigação sobre possíveis superfaturamentos em obras de pavimentação em municípios como Paraíso do Tocantins e Miracema.
Os próximos passos da campanha incluem a definição da vice na chapa, que deve ser anunciada nos próximos meses, e a elaboração de um plano de governo. Enquanto isso, os adversários de Witer Naves já começam a se movimentar. O deputado federal Tiago Andrino (PSD), pré-candidato à reeleição, já sinalizou que deve disputar o Palácio Araguaia, assim como o ex-governador Mauro Carlesse (União Brasil), que não descartou uma nova candidatura.
A federação PSOL/Rede, que nas eleições de 2022 obteve menos de 1% dos votos para governador, agora aposta em uma campanha mais estruturada, com foco em redes sociais e mobilização nas periferias de Palmas e outras cidades. Se a estratégia vingar, o Tocantins pode ver nascer, pela primeira vez, um governador de esquerda.
Para os eleitores, a escolha de Witer Naves representa mais uma opção nas urnas, mas também a chance de discutir pautas que há anos são deixadas de lado, como a regularização fundiária e a valorização dos povos indígenas e quilombolas. Em um estado onde a política costuma ser dominada por oligarquias regionais, a candidatura do PSOL/Rede chega como um sopro de novidade — ainda que o caminho até 2026 seja longo e cheio de obstáculos.