Cantareira segue em alerta com queda no volume útil em agosto
Sistema registra redução contínua e deve manter restrições em setembro segundo dados oficiais

O Sistema Cantareira, principal reserva hídrica da Grande São Paulo, encerrou agosto com volume útil em queda e deve permanecer na faixa de alerta em setembro. A situação reforça a necessidade de controle no uso da água, mesmo com o fim do período seco tradicionalmente mais crítico.
A redução no armazenamento não é novidade para o Cantareira. Desde o início do ano, os níveis vêm oscilando abaixo da média histórica, com poucas recuperações significativas. Em agosto, a queda foi de 1,5 ponto percentual em relação ao mês anterior, segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A Sabesp informou que a retirada de água será menor em setembro, ajustando a vazão para preservar o que ainda resta nos reservatórios.
Para quem depende do sistema, as consequências já são visíveis. Moradores de bairros que recebem água do Cantareira relatam rodízios mais frequentes e pressão reduzida nas torneiras, especialmente em horários de pico. A situação afeta diretamente cerca de 5,5 milhões de pessoas na região metropolitana, que dependem do sistema para abastecimento residencial e industrial.
Os números mostram que o volume útil do Cantareira fechou agosto em 32,5%, abaixo dos 34% registrados em julho. A Sabesp não descarta a possibilidade de novas medidas restritivas caso a chuva continue abaixo do esperado nos próximos meses. A companhia também monitora o consumo em tempo real, com alertas automáticos para bairros com maior demanda.
Ainda não há previsão de quando o sistema poderá sair da faixa de alerta. A dependência de chuvas para recuperação dos níveis é alta, e o histórico recente mostra que os reservatórios demoram a se repor mesmo após períodos de precipitação acima da média. Enquanto isso, a população é orientada a economizar água, evitando desperdícios em atividades domésticas.
A Sabesp mantém reuniões semanais com a Defesa Civil e órgãos ambientais para avaliar os próximos passos. A prioridade é evitar um colapso no abastecimento, mas a situação exige ações coordenadas entre governo, empresas e cidadãos. Sem chuvas expressivas, as restrições podem se estender até o início do próximo período chuvoso, previsto para outubro.