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Simpósio em Luís Eduardo Magalhães debate futuro do Matopiba

Evento reúne 400 participantes e 20 especialistas na próxima semana para discutir desafios da agricultura na região

📝 Redação CCN27 de agosto de 2026 às 17:21👁 3 leituras
Simpósio em Luís Eduardo Magalhães debate futuro do Matopiba

Na próxima semana, Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, mas a apenas algumas horas de carro de cidades tocantinenses como Gurupi e Dueré, vai sediar um dos encontros mais importantes do setor agropecuário do país. O Simpósio Brasileiro sobre o Matopiba — sigla que reúne as regiões de cerrado dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — já tem as inscrições esgotadas, com cerca de 400 participantes confirmados e mais de 20 especialistas escalados para debater um dos principais gargalos da agricultura regional: a produção sustentável em áreas de expansão agrícola.

O evento, que começa na segunda-feira (15), não é apenas mais uma reunião técnica. Para quem vive no Tocantins, onde a fronteira agrícola avança sobre o cerrado e a agricultura familiar ainda luta por espaço, o simpósio chega em um momento crítico. A região do Matopiba, que inclui o sul tocantinense, tem registrado crescimento acelerado na produção de grãos, mas também enfrenta pressões por uso de recursos hídricos, degradação de solos e conflitos fundiários. Em 2023, o Tocantins foi o quarto estado que mais expandiu a área plantada de soja no país, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e a expectativa é que a safra 2024/2025 mantenha o ritmo.

O coordenador do evento, que pediu para não ser identificado, explicou que o foco será em soluções práticas para os produtores. "Não adianta discutir apenas teoria. Os participantes vão sair daqui com planos de ação para aplicar nas propriedades", afirmou. Entre os temas em pauta estão o manejo de solos degradados, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e a adoção de tecnologias de baixo carbono, como a agricultura de precisão. A programação inclui palestras de pesquisadores da Embrapa, técnicos de cooperativas e representantes de empresas do agronegócio, que vão apresentar cases de sucesso em propriedades da região.

Para os produtores tocantinenses que não puderam estar presentes, o simpósio promete gerar desdobramentos importantes. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (Faet) já sinalizou que vai replicar algumas das discussões em encontros regionais, especialmente nas cidades onde a agricultura familiar é predominante, como Alvorada e Pium. "O Matopiba é uma realidade no Tocantins, mas cada município tem suas particularidades. Precisamos adaptar as soluções às nossas realidades", afirmou um diretor da Faet, que participou da organização do evento.

A escolha de Luís Eduardo Magalhães como sede não foi aleatória. A cidade, localizada no coração do Matopiba, é um dos principais polos de produção de grãos do país e tem uma estrutura logística que atende tanto grandes produtores quanto pequenos agricultores. A proximidade com o Tocantins facilita a participação de quem vem do estado, seja por estrada ou por voos que chegam ao Aeroporto de Gurupi, a menos de 200 km dali.

O evento também deve chamar a atenção para os desafios que o Tocantins enfrenta na regulação ambiental. Nos últimos dois anos, o estado registrou um aumento de 30% nos alertas de desmatamento no cerrado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A pressão por mais áreas agricultáveis tem levado a conflitos com comunidades tradicionais e quilombolas, que dependem da terra para sobreviver. Em 2023, o Ministério Público Federal no Tocantins abriu inquéritos para investigar casos de grilagem e desmatamento ilegal em municípios como Formoso do Araguaia e Lagoa da Confusão.

Os organizadores do simpósio garantem que o tema será abordado de forma equilibrada. "Não vamos demonizar o agronegócio nem romantizar a agricultura familiar. O objetivo é mostrar que é possível produzir mais sem destruir", afirmou um dos palestrantes, pesquisador da Embrapa Cerrados. A expectativa é que as discussões resultem em um documento com recomendações para políticas públicas, que será encaminhado ao governo federal e aos estados da região.

Para quem acompanha de perto o setor no Tocantins, a realização do evento é um sinal de que o estado está cada vez mais integrado às discussões nacionais sobre o futuro da agricultura. A secretária de Estado da Agricultura, Pecuária e Aquicultura, Márcia de Castro, deve participar da abertura e reforçar o compromisso do governo com a sustentabilidade. "O Tocantins tem potencial para ser referência em agricultura de baixo impacto, mas precisamos de políticas que incentivem isso", declarou.

O simpósio termina na quarta-feira (17), mas os desdobramentos devem se estender por meses. A Faet já anunciou que vai criar um grupo de trabalho para acompanhar as recomendações do evento e adaptá-las à realidade tocantinense. Enquanto isso, os produtores do estado seguem de olho nas discussões, na esperança de que as soluções apresentadas possam ajudar a equilibrar produtividade e preservação ambiental.