Tocantins amplia rede de alerta contra seca com 77 estações
Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos instala estações em 30 bacias para monitorar chuvas e níveis de rios

O Tocantins acaba de dar um passo importante para evitar os problemas que a estiagem costuma trazer todos os anos. A Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) anunciou a instalação de 77 estações de monitoramento distribuídas por 30 bacias hidrográficas do estado. O sistema, que já está em funcionamento, vai acompanhar não só as chuvas, mas também os níveis e vazões dos rios, permitindo ações mais rápidas quando os volumes caem.
A rede foi montada justamente para prevenir crises como as que já atingiram cidades como Porto Nacional, Gurupi e Araguaína nos últimos anos. Em 2023, por exemplo, a falta de chuva secou mananciais e deixou comunidades rurais sem água, obrigando a prefeituras a acionar caminhões-pipa e a buscar soluções emergenciais. Agora, com os equipamentos espalhados por bacias como a do Rio Tocantins, Araguaia e Manuel Alves, o governo espera antecipar problemas antes que eles se agravem. As estações enviam dados em tempo real para a Semarh, que pode acionar alertas para prefeituras, empresas de abastecimento e produtores rurais.
Para quem vive no interior, a novidade pode fazer diferença no dia a dia. Em municípios como Dianópolis, no sudeste do estado, a agricultura familiar depende diretamente dos níveis dos rios. Com o monitoramento constante, os agricultores terão informações mais precisas para planejar o plantio e evitar prejuízos. Já em Paraíso do Tocantins, onde a pecuária é forte, a rede ajuda a garantir que os pastos não fiquem comprometidos pela falta de água. A Semarh informou que as estações foram instaladas em pontos estratégicos, como nascentes e trechos críticos dos rios, para captar dados confiáveis.
Os números mostram a abrangência do projeto: são 77 estações em 30 bacias, cobrindo desde pequenas nascentes até grandes rios. Cada estação é equipada com sensores que medem chuva, nível da água e vazão, além de transmitir os dados via satélite. Segundo a Semarh, o investimento faz parte de um plano maior de gestão de recursos hídricos, que inclui obras de recuperação de matas ciliares e fiscalização de outorgas de uso da água. A pasta não divulgou o valor total do projeto, mas afirmou que a manutenção das estações será feita em parceria com o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins).
O próximo passo é integrar os dados ao Sistema de Alerta de Cheias e Secas, que já existe, mas agora terá informações mais detalhadas. A Semarh também estuda ampliar a rede para bacias menores, onde ainda não há cobertura. Enquanto isso, prefeituras e comunidades já começam a sentir os efeitos da novidade. Em Xambioá, no Bico do Papagaio, a prefeitura já usa os dados para orientar a população sobre o uso racional da água. Em Gurupi, a Companhia de Saneamento do Tocantins (Saneatins) diz que os alertas antecipados ajudarão a evitar racionamentos como os de 2021.
A iniciativa chega em um momento em que o Tocantins discute a segurança hídrica não só para o campo, mas também para as cidades. Com a expansão da rede, o estado ganha uma ferramenta que pode evitar prejuízos milionários e garantir água para quem mais precisa. Agora, a expectativa é que os dados ajudem a transformar a gestão da água em algo mais transparente e eficiente para todos.