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Chinesa Cofco assume controle de duas usinas de açúcar no Brasil

Empresa adquire unidades da Bunge por valor não divulgado, ampliando presença no setor sucroenergético nacional

📝 Redação CCN01 de setembro de 2026 às 11:45👁 5 leituras
Chinesa Cofco assume controle de duas usinas de açúcar no Brasil

A multinacional chinesa Cofco International anunciou a compra de duas usinas de açúcar da Bunge no Brasil. As unidades adquiridas são a Rio Vermelho, localizada em Goiás, e a Nova Unialco, em São Paulo. O negócio foi fechado sem que o valor da transação fosse revelado.

A operação marca mais um passo da Cofco no mercado brasileiro de açúcar e etanol, setor que já domina em outros países. A empresa, controlada pelo governo chinês, tem expandido sua atuação na América Latina nos últimos anos, buscando garantir o abastecimento de commodities para o mercado asiático. A Bunge, por sua lado, segue ajustando seu portfólio após anos de reestruturação, focando em segmentos mais rentáveis. A venda das duas usinas faz parte desse movimento de desinvestimento em áreas menos estratégicas.

Para o setor sucroenergético brasileiro, a mudança de controle pode trazer impactos na gestão das unidades e nas relações comerciais. As usinas Rio Vermelho e Nova Unialco juntas têm capacidade de processar cerca de 4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, segundo dados do setor. A Cofco não informou se manterá os atuais contratos de fornecimento de matéria-prima ou se fará ajustes na operação. Produtores locais e fornecedores de cana agora aguardam sinalizações sobre possíveis mudanças na política de preços ou na priorização de mercados.

A Bunge não comentou publicamente sobre os planos futuros para os recursos obtidos com a venda. A Cofco, por sua vez, limitou-se a confirmar a aquisição sem detalhar estratégias imediatas. O silêncio das empresas deixa dúvidas sobre o ritmo das mudanças e o impacto nos cerca de 2 mil empregos diretos mantidos pelas duas usinas.

O negócio se soma a outras aquisições recentes da Cofco no Brasil, como a compra de parte da unidade de moagem da BP em 2022. A empresa já opera terminais portuários e armazéns no país, reforçando sua cadeia de distribuição. Enquanto isso, a Bunge segue concentrada em óleos vegetais e proteínas, após vender ativos em açúcar e etanol nos últimos anos.

O setor aguarda mais detalhes sobre a transição, especialmente em relação a contratos de longo prazo e possíveis investimentos em modernização. A indefinição prolongada pode gerar incertezas entre fornecedores e clientes, que dependem da estabilidade das operações para planejar safras e vendas.

A próxima safra, que começa em abril, será o primeiro teste para a nova gestão. Se a Cofco mantiver os atuais volumes de produção e escoamento, o impacto nos preços internos e nas exportações pode ser limitado. Caso contrário, o mercado poderá reagir com ajustes nos contratos futuros de açúcar, afetando desde agricultores até indústrias consumidoras.