Cinthia Ribeiro quer dar força legal às atléticas das universidades
Proposta da deputada federal prevê projeto de lei para institucionalizar entidades estudantis em Brasília 16/05/2024

A deputada federal Cinthia Ribeiro anunciou ontem que, caso seja eleita para um novo mandato, apresentará um projeto de lei no Congresso Nacional para institucionalizar as atléticas universitárias. A proposta foi discutida durante um encontro com representantes de entidades estudantis, realizado em Brasília.
A ideia é transformar as atléticas em organizações reconhecidas oficialmente, o que, segundo a parlamentar, daria mais visibilidade e apoio a essas agremiações. "As atléticas são espaços de formação de lideranças, de promoção de saúde e de integração entre os estudantes. Precisamos garantir que elas tenham estrutura para continuar atuando", afirmou Cinthia durante o evento.
O projeto ainda não tem data para ser protocolado, mas a deputada adiantou que a proposta deve incluir mecanismos de financiamento e parcerias com universidades e órgãos públicos. A discussão sobre o tema ganhou força nos últimos meses, especialmente após relatos de dificuldades enfrentadas por atléticas em várias instituições do país.
Para quem vive no Tocantins, a notícia pode soar distante, mas a pauta tem reflexos diretos na vida de estudantes locais. Universidades como a Universidade Federal do Tocantins (UFT), com campi em Palmas, Araguaína e Gurupi, abrigam atléticas que organizam eventos esportivos, culturais e sociais. Se a proposta avançar, essas entidades poderiam receber mais recursos e apoio institucional, beneficiando milhares de jovens que dependem delas para atividades extracurriculares.
A UFT, por exemplo, tem atléticas em seus três principais campi. Em Palmas, a Atlética da Medicina é conhecida por organizar festas e torneios que movimentam a vida universitária. Em Araguaína, a Atlética da Engenharia promove ações de integração entre cursos. Em Gurupi, as atléticas de Agronomia e Ciências Biológicas são referência em eventos esportivos regionais. Todas essas iniciativas poderiam ser fortalecidas com o reconhecimento legal.
A deputada não detalhou o conteúdo do projeto, mas deixou claro que a juventude será o foco da proposta. "Não adianta termos universidades de excelência se não investimos nos estudantes. As atléticas são parte dessa formação", declarou. A fala reforça uma tendência recente no Congresso, onde pautas voltadas para a juventude têm ganhado espaço, especialmente após as eleições de 2022, quando o número de deputados jovens aumentou.
O projeto de lei ainda precisa ser elaborado em detalhes, mas a intenção de Cinthia Ribeiro já sinaliza um movimento em defesa das entidades estudantis. Se aprovado, a medida poderia criar um marco legal para as atléticas, garantindo não só recursos, mas também segurança jurídica para suas atividades.
A proposta chega em um momento em que o esporte universitário no Tocantins enfrenta desafios. Muitas atléticas dependem de vaquinhas e patrocínios informais para sobreviver, enquanto outras lutam para manter seus espaços dentro das universidades. Em Palmas, por exemplo, algumas entidades já enfrentaram problemas para alugar quadras ou ginásios para eventos.
Se o projeto virar lei, as atléticas poderiam pleitear recursos do Ministério da Educação ou de programas como o Bolsa Atleta, ampliando suas possibilidades. Além disso, a institucionalização poderia facilitar parcerias com prefeituras e governos estaduais, como já ocorre em iniciativas isoladas em municípios tocantinenses.
Cinthia Ribeiro não é a única parlamentar a se debruçar sobre o tema. Outros deputados federais e estaduais têm apresentado projetos para apoiar o esporte amador, mas a proposta da deputada ganha destaque por focar diretamente nas atléticas, que muitas vezes são invisíveis nos debates sobre política esportiva.
O próximo passo será a elaboração do texto do projeto, que deve envolver consultas a entidades estudantis e especialistas em direito educacional. A deputada não descartou a possibilidade de apresentar a proposta ainda este ano, dependendo da agenda legislativa.
Para os estudantes tocantinenses, a notícia é um alento. Muitos deles dependem das atléticas para se manterem ativos na universidade, seja praticando esportes, participando de eventos ou simplesmente encontrando um espaço de pertencimento. Se a institucionalização sair do papel, o impacto pode ser sentido em todo o estado, desde a UFT até as faculdades particulares de Porto Nacional e Paraíso do Tocantins.
Ainda é cedo para cravar quando a proposta será votada ou se será aprovada, mas o anúncio já coloca o tema na pauta. Enquanto isso, as atléticas seguem trabalhando com o que têm, na esperança de que, em breve, possam ter mais do que apenas o apoio dos colegas para continuar existindo.