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Tabaco afeta mais que os pulmões: coração também padece a cada tragada

Semana Nacional de Combate ao Fumo alerta sobre riscos cardiovasculares do cigarro em Palmas e no Tocantins 12/08/2024

📝 Redação CCN26 de agosto de 2026 às 15:44👁 4 leituras
Tabaco afeta mais que os pulmões: coração também padece a cada tragada

A cada tragada, o cigarro dispara uma bomba silenciosa no organismo. Enquanto o câncer de pulmão rouba os holofotes, o coração sofre danos invisíveis, mas não menos graves. A constatação ganha destaque durante a Semana Nacional de Combate ao Fumo, que até esta segunda-feira percorre o país com campanhas de conscientização. Em Palmas, a mobilização chega aos postos de saúde, escolas e praças, onde equipes da Secretaria Estadual de Saúde alertam sobre os riscos que vão além do pulmão.

O tabagismo é a segunda maior causa de doenças cardiovasculares no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. No Tocantins, onde o hábito ainda encontra adeptos em todas as faixas etárias, os números assustam. A cada ano, cerca de 15 mil brasileiros morrem por infartos ou derrames diretamente ligados ao cigarro, conforme levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia. No estado, os hospitais regionais de Araguaína, Gurupi e Porto Nacional registram um aumento de 20% nos atendimentos por problemas cardíacos em fumantes nos últimos três anos. A artéria coronária, responsável por levar sangue ao coração, é uma das primeiras a sofrer com a fumaça. A nicotina contrai os vasos, enquanto o monóxido de carbono reduz a capacidade do sangue de transportar oxigênio. O resultado? Pressão alta, aterosclerose e, em casos extremos, parada cardíaca.

Para quem vive em Palmas, a realidade não é diferente. No Hospital Geral de Palmas, cardiologistas relatam casos de pacientes com menos de 40 anos internados por infarto, muitos deles fumantes há mais de duas décadas. "O cigarro envelhece as artérias como se fossem décadas de uma vez só", explica o doutor Marcos Oliveira, chefe do setor de cardiologia do hospital. Ele conta que, nos últimos cinco anos, o número de jovens com problemas cardíacos cresceu 15% na capital, um reflexo direto do tabagismo precoce. Nas unidades básicas de saúde da cidade, as equipes distribuem folders e oferecem palestras sobre os malefícios do tabaco, mas o desafio é grande. Em 2023, o Tocantins registrou mais de 3 mil internações por doenças cardiovasculares relacionadas ao cigarro, segundo a Secretaria Estadual de Saúde.

A relação entre o tabaco e o coração não é novidade para a ciência, mas ainda enfrenta resistência entre os fumantes. Muitos acreditam que, se não tossirem ou não tiverem câncer, estão livres dos danos. "As pessoas subestimam os riscos porque os sintomas demoram a aparecer", alerta a enfermeira Carla Mendes, coordenadora do Programa de Combate ao Tabagismo em Palmas. Ela lembra que, enquanto o câncer pode levar anos para se manifestar, os problemas cardíacos surgem em questão de minutos após o ato de fumar. Um único cigarro é capaz de aumentar a pressão arterial em até 20 pontos e reduzir a oxigenação do sangue em até 10%.

No Tocantins, a campanha deste ano tem como foco os jovens e os fumantes passivos. Em Araguaína, por exemplo, a prefeitura instalou cartazes em pontos de ônibus e praças com a mensagem: "Cada tragada é um passo rumo ao hospital". Em Gurupi, as escolas estaduais promovem debates com ex-fumantes que sofreram infartos precoces. A ideia é mostrar que os danos não são apenas físicos, mas também financeiros. Um maço de cigarros por dia consome cerca de R$ 400 por mês do orçamento de uma família, dinheiro que poderia ser investido em saúde ou lazer.

Os dados do Ministério da Saúde revelam que, no Brasil, 40% dos fumantes não sabem que o cigarro aumenta o risco de doenças cardíacas. No Tocantins, a Secretaria Estadual de Saúde estima que 18% da população adulta ainda fuma regularmente. A campanha deste ano, que segue até sexta-feira, oferece tratamento gratuito para quem quer parar, com acompanhamento psicológico e medicamentos. Em Palmas, as inscrições para o programa podem ser feitas nas unidades básicas de saúde do Taquaralto, Jardim Aureny e Centro.

Enquanto as ações avançam, a realidade nas ruas mostra que o desafio persiste. Em Porto Nacional, por exemplo, a praça central ainda é ponto de encontro de fumantes, muitos deles idosos que começaram a fumar há décadas. "A gente sabe que faz mal, mas é um vício difícil de largar", confessa João Silva, 68 anos, morador da cidade. Ele fuma desde os 15 anos e já teve dois infartos. Agora, tenta reduzir o consumo com ajuda de adesivos de nicotina, mas admite que a batalha é dura. Histórias como a dele reforçam a necessidade de políticas públicas mais efetivas, que vão além das campanhas pontuais.

A Semana Nacional de Combate ao Fumo termina na sexta-feira, mas o trabalho de prevenção não pode parar. No Tocantins, a expectativa é que as ações cheguem a mais de 50 municípios, com palestras, caminhadas e distribuição de material informativo. Para os especialistas, o momento é de reforçar a mensagem: o coração não perdoa. Cada tragada pode ser a última, ou a primeira de uma série de problemas que vão muito além dos pulmões.