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Tocantins segue seco enquanto Acre e Rondônia molham as lavouras

Chuvas voltam ao norte do país mas estado mantém alerta de estiagem com reflexos na agricultura e abastecimento

📝 Redação CCN10 de julho de 2026 às 13:44👁 1 leituras
Tocantins segue seco enquanto Acre e Rondônia molham as lavouras

O Tocantins amanheceu mais uma vez sob o sol forte e a umidade do ar abaixo dos 30%, enquanto estados vizinhos como Acre, Rondônia e o oeste do Amazonas já sentem o retorno das chuvas. A diferença no clima entre as regiões acende um sinal amarelo para produtores rurais e gestores públicos no estado, que ainda lutam contra os efeitos da seca prolongada.

A virada do tempo nos estados do norte não pega o Tocantins de surpresa. Desde o início do ano, a Defesa Civil estadual mantém alertas para baixa umidade e risco de incêndios, especialmente nas regiões de Gurupi, Porto Nacional e no Bico do Papagaio. Segundo o boletim mais recente da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), o volume de chuvas acumulado em julho está 40% abaixo da média histórica, uma realidade que afeta diretamente o plantio de soja e milho na região central do estado. Em Palmas, a Companhia de Saneamento do Tocantins (BRK Ambiental) já havia anunciado medidas de racionamento preventivo em bairros como Taquaralto e Jardim Aureny, onde a pressão na rede cai nos horários de pico.

Para quem depende da agricultura, a situação é ainda mais crítica. Na cidade de Dueré, no sul do estado, o produtor rural João Paulo Silva, 42 anos, conta que precisou adiar o plantio da segunda safra por falta de água nos poços. "A gente já está acostumado com a seca, mas esse ano está pior. Os poços estão secando mais cedo e a conta de energia só aumenta porque a gente precisa bombear água do lençol freático", relata. Em Araguaína, a situação não é diferente. A Cooperativa Agropecuária do Tocantins (Cooperat) informou que 15% dos associados já reduziram a área plantada em 2024, uma decisão que deve impactar a safra de grãos no próximo ciclo.

A estiagem também afeta o cotidiano das cidades. Em Gurupi, a prefeitura anunciou que vai ampliar o rodízio de água em agosto, medida que já havia sido implementada em maio após a queda nos níveis do Rio Formoso. "A gente está monitorando diariamente os reservatórios e pedindo à população que evite desperdícios. Cada gota conta", afirmou o secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Eduardo Lima. Em Palmas, a BRK Ambiental informou que mantém equipes em plantão para evitar interrupções no fornecimento, mas pede colaboração dos moradores para não lavar calçadas ou carros nos horários de maior consumo.

O cenário preocupa também os órgãos de saúde. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) emitiu alerta para o aumento de casos de doenças respiratórias, especialmente entre crianças e idosos, devido à baixa umidade. "Com o ar seco, as vias respiratórias ficam mais sensíveis, e a população deve redobrar os cuidados com hidratação e limpeza de ambientes", orientou a coordenadora de Vigilância Epidemiológica, Dra. Márcia Oliveira. Em Araguaína, o Hospital Regional já registrou um aumento de 20% nos atendimentos por problemas respiratórios nas últimas duas semanas.

Enquanto o Tocantins segue em alerta, a expectativa é de que as chuvas possam chegar com mais força em agosto, segundo a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). No entanto, os meteorologistas alertam que mesmo com a normalização das precipitações, os reservatórios levarão meses para se recuperar. Para o secretário da Semarh, Thiago Cardoso, a situação exige planejamento a longo prazo. "Não adianta só esperar a chuva. Precisamos investir em tecnologias de irrigação, recuperação de nascentes e conscientização da população", defendeu.

A Defesa Civil estadual informou que mantém equipes de plantão para monitorar focos de incêndio e orientar a população sobre medidas preventivas. Até o momento, não há previsão de mudanças bruscas no tempo, mas a população deve ficar atenta aos boletins oficiais e evitar queimadas, que só agravam a situação.