Chef tocantinense leva sabores indígenas à Europa até outubro
Luana Oliveira, de Palmas, pesquisa culinária Krahô em Paris e participa de eventos gastronômicos na França, Portugal, Espanha e Itália

No começo de maio, a chef de cozinha Luana Oliveira deixou Palmas rumo a Paris para viver uma experiência que mistura ciência e gastronomia. Até outubro, ela estará na capital francesa finalizando seu pós-doutorado sobre a alimentação do povo indígena Krahô, no Museu Nacional de História Natural da França. Além da pesquisa, a tocantinense participará de eventos acadêmicos e gastronômicos em quatro países europeus, levando não só o nome do Tocantins para o exterior, mas também os sabores e saberes de uma cultura que faz parte da identidade do estado.
Luana Oliveira não é apenas uma chef. Ela é pesquisadora, e seu trabalho com a culinária indígena já rendeu reconhecimento nacional. O foco agora é o povo Krahô, que vive em territórios do Tocantins e do Maranhão. A escolha não é casual: a alimentação tradicional desse grupo é rica em técnicas ancestrais e ingredientes que pouco aparecem nas mesas urbanas, mesmo em cidades como Palmas, onde a diversidade cultural é visível. Ao estudar no museu francês, ela busca não apenas documentar receitas, mas entender como a alimentação se relaciona com a saúde, a espiritualidade e a resistência desses povos. Em Paris, ela terá acesso a acervos históricos e laboratórios que podem ajudar a desvendar segredos culinários que há séculos são passados de geração em geração.
A viagem não se limita ao museu. Até outubro, Luana participará de encontros gastronômicos na França, Portugal, Espanha e Itália, onde apresentará pratos inspirados na culinária Krahô. A ideia é mostrar que a gastronomia indígena não é apenas uma tradição do passado, mas uma fonte de inovação. Em tempos em que a busca por alimentos saudáveis e sustentáveis cresce no Tocantins — com feiras orgânicas em bairros como o Centro e o Taquaralto, e projetos de agricultura familiar em municípios como Gurupi e Porto Nacional —, a pesquisa de Luana pode inspirar novas formas de consumo. Afinal, muitos dos ingredientes usados pelos Krahô, como o pequi e o baru, já são encontrados em feiras de Palmas, mas ainda são subutilizados.
Para quem acompanha o trabalho da chef, a notícia é motivo de orgulho. Luana Oliveira já foi destaque em programas de televisão e em eventos como a Feira de Economia Criativa de Palmas, onde mostrou como a culinária indígena pode ser uma ponte entre o tradicional e o contemporâneo. Agora, em terras europeias, ela leva essa mensagem não apenas para acadêmicos, mas também para chefs e food lovers que buscam inovação. Em Paris, por exemplo, ela participará de um festival de gastronomia indígena organizado pelo museu, onde apresentará um prato feito com ingredientes típicos do cerrado tocantinense.
A presença de Luana na Europa também reforça a importância de políticas públicas que valorizem a cultura indígena no Tocantins. Enquanto ela pesquisa no exterior, no estado, projetos como o da Secretaria de Estado da Cultura e do Turismo buscam resgatar e promover a gastronomia tradicional, inclusive com oficinas em escolas de Palmas. A conexão entre o trabalho dela e essas iniciativas mostra como a cultura pode ser um vetor de desenvolvimento, seja na educação, no turismo ou até mesmo na economia local. Afinal, um prato como o peixe na telha, típico da região, pode se tornar um atrativo para visitantes que chegam ao estado.
Até outubro, a rotina de Luana será intensa. Entre laboratórios, palestras e degustações, ela terá que conciliar a pesquisa com a apresentação de sua cultura. Mas o mais importante é que, ao voltar, ela trará não só dados e receitas, mas também a certeza de que o Tocantins tem muito a ensinar ao mundo. Enquanto isso, aqui no estado, a espera é para ver como essas novas perspectivas podem se transformar em ações concretas, seja em restaurantes, escolas ou até mesmo em políticas públicas. O legado de Luana, afinal, não será apenas acadêmico, mas também um legado para todos que acreditam na força da cultura tocantinense.