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Fim de era no Irã: Khamenei é velado em Teerã até quinta-feira

Cerimônia fúnebre do ex-líder supremo iraniano reúne multidões em Teerã até 9 de outubro

📝 Redação CCN05 de julho de 2026 às 10:22👁 3 leituras
Fim de era no Irã: Khamenei é velado em Teerã até quinta-feira

O caixão de Ali Khamenei, ex-líder supremo do Irã, chegou ao complexo religioso de Teerã na manhã desta sexta-feira (3), dando início a uma semana de homenagens que só devem terminar na próxima quinta-feira (9). A cerimônia, que já mobiliza milhares de pessoas nas ruas da capital iraniana, marca o encerramento de uma era política que durou quase três décadas.

A morte de Khamenei, anunciada na terça-feira (1º), pegou o país de surpresa, ainda que o líder de 85 anos enfrentasse problemas de saúde há anos. Seu corpo foi levado em cortejo até o santuário de Jamaran, um dos locais mais sagrados para os xiitas no Irã, onde será velado por cinco dias consecutivos. Autoridades iranianas confirmaram que o funeral será o maior já realizado no país desde a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, em 1989.

O evento não é apenas um momento de luto, mas também um teste para o regime iraniano, que precisa mostrar unidade em meio a tensões internas e externas. O sucessor de Khamenei ainda não foi definido, e a escolha deve passar por um processo político delicado dentro do sistema de governo teocrático. Enquanto isso, a população iraniana se aglomera nas ruas, muitos chorando e carregando retratos do ex-líder, enquanto outros veem na cerimônia uma oportunidade de expressar insatisfação com o governo.

No Tocantins, onde a política internacional muitas vezes parece distante, o tema ganha eco entre quem acompanha os desdobramentos do Oriente Médio. O Irã é um parceiro comercial relevante para o Brasil, especialmente no setor de energia, e qualquer instabilidade na região pode afetar preços de combustíveis e grãos no mercado tocantinense. Empresários de Gurupi e Porto Nacional, por exemplo, já monitoram os desdobramentos para avaliar possíveis impactos nos contratos de exportação de soja e milho.

A segurança também é uma preocupação. O governo federal brasileiro, através do Ministério das Relações Exteriores, emitiu um alerta para viajantes no Irã, recomendando cautela em áreas de aglomeração. Em Palmas, a Polícia Federal mantém contato com a Embaixada do Irã no Brasil para acompanhar a evolução dos eventos.

Autoridades locais, como o deputado estadual Eduardo Siqueira Campos (PSDB), que acompanha questões internacionais na Assembleia Legislativa, destacam que o momento exige atenção. "O Irã é um ator importante no cenário global, e qualquer mudança lá pode reverberar aqui, seja na economia, seja na segurança", afirmou.

A cerimônia fúnebre, transmitida ao vivo por emissoras estatais iranianas, deve atrair a atenção de líderes mundiais, incluindo presidentes e primeiros-ministros. No entanto, o Irã já anunciou que não receberá delegações estrangeiras devido ao luto nacional. A única exceção será uma delegação da Rússia, país que mantém laços estreitos com Teerã.

Enquanto o mundo observa, o Irã se prepara para um dos momentos mais críticos de sua história recente. A sucessão de Khamenei não será apenas uma transição de poder, mas um teste para a estabilidade de um regime que há décadas governa com mão de ferro.

Para os tocantinenses, o evento serve como um lembrete de como crises em outros continentes podem, em algum momento, ecoar nas ruas de Araguaína ou nas plantações de Dianópolis.