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Cinquenta mil peixes são soltos no rio Uraim em ação ambiental

Iniciativa em Paragominas (PA) reúne mais de mil estudantes e busca recuperar biodiversidade aquática da região

📝 Redação CCN01 de junho de 2026 às 17:10👁 1 leituras
Cinquenta mil peixes são soltos no rio Uraim em ação ambiental

Cinquenta mil peixes de diferentes espécies entraram nas águas do rio Uraim na manhã de sábado (30), em Paragominas, no sudeste do Pará. O lançamento aconteceu a cerca de 50 quilômetros da sede municipal, numa propriedade rural onde fica a nascente do rio. A ação de preservação ambiental mobilizou mais de mil estudantes da rede municipal de ensino, além de autoridades locais.

Embora o evento tenha ocorrido no estado vizinho, a iniciativa traz lições importantes para quem vive em Tocantins. Os rios da região tocantinense enfrentam desafios semelhantes de degradação e perda de biodiversidade. A bacia amazônica, que abrange o Tocantins, depende de ações coordenadas entre Estados para garantir a saúde dos ecossistemas aquáticos. O que acontece em Paragominas tem reflexo direto nos nossos rios e na cadeia de vida que os habita.

Programas de repovoamento de peixes não são novidade nas Amazônias. A prática busca restaurar populações que sofreram redução drástica por conta da pesca predatória, da poluição e do desmatamento das margens dos rios. Quando a vegetação ciliar desaparece, o rio perde proteção natural, a água aquece demais e a fauna aquática sofre. Sem peixes, toda uma cadeia alimentar colapsa: perde o pescador artesanal, perde a comunidade que depende daquele rio para subsistência e lazer.

O diferencial dessa ação em Paragominas foi a escala e o envolvimento de crianças. Trazer mil alunos para participar não é só soltar peixe na água. É educação ambiental na prática. É a criança de dez anos vendo com seus próprios olhos que ela pode fazer algo para consertar o que foi quebrado. Esses estudantes saem daquele rio com uma responsabilidade internalizada: a natureza precisa deles.

Os peixes soltos foram de espécies variadas, o que sugere uma estratégia pensada para recompor a biodiversidade do local. Não adianta soltar só uma espécie. Um rio saudável precisa de diversidade. Precisa de peixes pequenos, médios e grandes. Precisa de espécies que comem plantas aquáticas, outras que comem insetos, outras que se alimentam de detritos. Toda essa engrenagem funciona quando há equilíbrio.

Em Tocantins, ações similares poderiam fazer diferença. O Estado tem uma riqueza hídrica imensa — o rio Tocantins cortando o território inteiro — mas também tem ameaças crescentes. O desmatamento nas áreas de nascentes e margens compromete a qualidade da água. A poluição oriunda da atividade agrícola e urbana reduz o oxigênio disponível. Programas de repovoamento estratégico, combinados com proteção das matas ciliares e fiscalização contra pesca predatória, poderiam reverter degradações.

O que se aprende com iniciativas como essa é que preservação ambiental não é tarefa só de ambientalistas ou governo. É responsabilidade coletiva. Quando escolas participam, quando autoridades aparecem e legitimam a ação, o recado fica claro: todos têm papel nessa história. Em Palmas e em outras cidades tocantinenses, iniciativas desse tipo poderiam engajar comunidades inteiras na recuperação dos nossos rios.

Os efeitos da soltura de peixe não são imediatos. Leva tempo para esses animais se reproduzirem, para as populações se estabelecerem, para a pesca se recuperar. Mas a semente foi plantada. Em meses, talvez em um, dois anos, moradores de Paragominas poderão voltar a pescar com fartura. E as crianças que participaram do evento carregarão essa experiência vida inteira, replicando-a em suas comunidades, em suas próprias ações futuras. Preservação ambiental se constrói assim — um peixe, um estudante, uma ação de cada vez.