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Pecuária no Brasil: preços da carne sobem no primeiro semestre de 2026

CEPEA registra alta nos valores do boi gordo e bezerro no mercado nacional entre janeiro e junho de 2026

📝 Redação CCN02 de julho de 2026 às 13:45👁 4 leituras
Pecuária no Brasil: preços da carne sobem no primeiro semestre de 2026

O mercado de carne bovina no Brasil fechou o primeiro semestre de 2026 com uma realidade bem diferente da que muitos produtores e consumidores estavam acostumados. Os preços do boi gordo e do bezerro subiram de forma consistente, puxados por uma combinação de fatores que deixou a cadeia produtiva em alerta. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), a baixa oferta de animais prontos para abate e a valorização dos bezerros foram os principais responsáveis por esse movimento, que impactou desde o produtor rural até o consumidor final.

A escassez de boi gordo no mercado não é um fenômeno isolado, mas sim o resultado de um ciclo que começou a se desenhar ainda em 2025. A seca prolongada em várias regiões do país, especialmente no Centro-Oeste e no Norte, reduziu a capacidade de engorda dos rebanhos. Com menos pastagens disponíveis e custos de alimentação mais altos, muitos pecuaristas adiaram a venda dos animais, mantendo-os no pasto por mais tempo. Além disso, a demanda internacional por carne brasileira continuou firme, o que pressionou ainda mais os preços internos. O bezerro, por sua vez, também sentiu o impacto da valorização, já que a reposição de matrizes e reprodutores ficou mais cara, refletindo diretamente no custo de produção.

Para quem vive no Tocantins, estado que tem na pecuária uma das suas principais atividades econômicas, o cenário trouxe tanto oportunidades quanto desafios. Produtores da região, que já enfrentavam dificuldades com a estiagem, viram os preços de venda subirem, mas também tiveram que lidar com o aumento dos custos de produção. O estado, que é um dos maiores produtores de gado do país, sentiu na prática os efeitos da alta nos preços. Segundo o CEPEA, o preço médio do boi gordo no primeiro semestre de 2026 ficou 12% acima do registrado no mesmo período de 2025, enquanto o bezerro teve alta de 15%. Esses números mostram como a pecuária tocantinense, embora robusta, não está imune às flutuações do mercado nacional.

O reflexo dessa alta também chegou ao consumidor. Em Palmas, a capital do Tocantins, os preços da carne bovina nos açougues e supermercados subiram cerca de 8% em média, segundo levantamento do Sindicato do Comércio Varejista de Carnes do Estado. Para famílias que já tinham o hábito de consumir carne bovina com frequência, o impacto foi sentido no bolso. "A gente percebe que o preço subiu, mas não dá para deixar de comprar. A carne é essencial na nossa alimentação", contou Maria Silva, moradora do setor Sul da capital. A situação, no entanto, não é exclusividade do Tocantins. Em estados como Mato Grosso, Goiás e Pará, os aumentos foram ainda mais expressivos, chegando a 10% em algumas regiões.

O que vem pela frente? Os analistas do CEPEA indicam que, se não houver mudanças significativas no clima nos próximos meses, a tendência é de que os preços se mantenham altos ou até subam ainda mais. A perspectiva de recuperação das pastagens é lenta, e a demanda internacional, especialmente da China e dos Estados Unidos, continua aquecida. Para os pecuaristas, a estratégia agora é buscar alternativas para reduzir custos, como a adoção de tecnologias na alimentação ou a diversificação de culturas. Já para o governo, a pressão é por políticas que possam minimizar os efeitos da seca e garantir a sustentabilidade do setor.

Enquanto isso, o mercado segue monitorando os próximos passos. A próxima reunião do CEPEA, prevista para julho, deve trazer novos dados sobre a evolução dos preços e as perspectivas para o segundo semestre. Até lá, produtores e consumidores terão que se adaptar a essa nova realidade, que, pelo jeito, veio para ficar.