Banco reduz preço-alvo da Cemig e mantém recomendação neutra
Safra revisou projeção para CMIG4 de R$ 12,50 para R$ 11,90 até 2026; incertezas com sucessão de governador pesam

O banco Safra ajustou suas projeções para as ações preferenciais da Cemig (CMIG4), reduzindo o preço-alvo de R$ 12,50 para R$ 11,90 até o final de 2026. A decisão manteve a recomendação de manutenção do papel, classificada como neutra. A revisão reflete um cenário de incertezas em torno da sucessão do atual governador do estado de Minas Gerais, onde a empresa tem forte presença, segundo comunicado do banco.
A Cemig, uma das maiores distribuidoras de energia do país, enfrenta um momento delicado. O Safra enxerga potencial de valorização de cerca de 13% para as ações em relação aos níveis atuais, mas optou por não elevar a recomendação devido aos riscos políticos. A empresa, que já teve seu valuation afetado por mudanças no setor elétrico nos últimos anos, agora lida com a transição de gestão estadual, um fator que pode influenciar políticas públicas e regulatórias.
Investidores que acompanham o setor elétrico devem observar de perto como a Cemig se posicionará diante desse contexto. A redução do preço-alvo sinaliza cautela, mas não descarta oportunidades. O banco, no entanto, não vê motivos para recomendar compra ou venda agressiva do papel no momento, mantendo-se neutro enquanto aguarda mais clareza sobre o futuro político de Minas Gerais.
A revisão do Safra chega em um momento em que o mercado de energia passa por transformações. A Cemig, que tem participação em geração, transmissão e distribuição, tem buscado diversificar seus investimentos, mas enfrenta desafios como a volatilidade nos preços de energia e a pressão por tarifas mais acessíveis. A sucessão estadual adiciona uma camada de incerteza, já que políticas energéticas podem ser revisadas conforme a nova gestão.
Os números divulgados pelo Safra mostram que, mesmo com a redução, o preço-alvo de R$ 11,90 representa uma margem de valorização de 13% em relação ao fechamento da última sexta-feira, quando a ação encerrou em R$ 10,53. A recomendação neutra, por sua vez, reflete a ausência de um cenário claro para os próximos anos, especialmente no que diz respeito à regulação e ao ambiente de negócios em Minas Gerais.
O banco não detalhou os critérios específicos que levaram à revisão, mas é provável que a incerteza política tenha sido o principal fator. A Cemig, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o impacto da sucessão estadual em seus planos. Enquanto isso, investidores devem monitorar não apenas os desdobramentos políticos, mas também os resultados operacionais da empresa, que segue como uma das principais referências no setor elétrico brasileiro.
Nos próximos meses, a atenção estará voltada para a definição do novo governador de Minas Gerais e como sua gestão abordará temas como tarifas de energia, investimentos em infraestrutura e políticas de sustentabilidade. A Cemig, por sua vez, terá de demonstrar capacidade de adaptação em um ambiente cada vez mais competitivo e regulado.