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Recuperação judicial atinge cinco grandes empresas em agosto

Habib’s, Braskem e outras recorrem à Justiça para renegociar dívidas em meio a crise econômica

📝 Redação CCN28 de agosto de 2026 às 10:17👁 3 leituras
Recuperação judicial atinge cinco grandes empresas em agosto

O Grupo Gennius, dono das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall, e a petroquímica Braskem foram as duas últimas empresas a buscar proteção judicial para reorganizar suas dívidas na semana passada. Com esses pedidos, agosto já registra cinco casos emblemáticos de recuperação judicial ou extrajudicial, um ritmo que acende o alerta sobre a saúde financeira de setores-chave da economia.

O movimento não é isolado. Empresas de segmentos distintos, como varejo e indústria, têm recorrido à Justiça para evitar o colapso, mas os motivos por trás dos pedidos variam. No caso do Grupo Gennius, a pressão veio após anos de endividamento crescente, agravado pela queda no consumo de refeições fora de casa durante a pandemia. A rede de fast-food, que chegou a expandir suas operações com dezenas de novas unidades nos últimos anos, agora enfrenta dificuldades para honrar compromissos com fornecedores e bancos. Já a Braskem, gigante do setor petroquímico, optou pela recuperação extrajudicial — um processo menos burocrático — para renegociar dívidas de R$ 40 bilhões com credores. A empresa alega que a queda nos preços das commodities e a alta dos custos de produção tornaram insustentável a manutenção de sua estrutura atual.

O cenário preocupa não só os acionistas, mas também empregados e fornecedores. No Grupo Gennius, cerca de 12 mil funcionários diretos e indiretos podem ser afetados por fechamentos de lojas ou reestruturações operacionais. A Braskem, por sua vez, tem 8,5 mil empregados e uma cadeia de milhares de fornecedores que dependem de seus contratos. A incerteza já se reflete em demissões preventivas e adiamento de investimentos, enquanto credores correm para avaliar os riscos de seus créditos.

Os números reforçam a gravidade. Desde o início do mês, além do Gennius e da Braskem, outras três empresas de portes variados também ingressaram com pedidos de recuperação: uma do setor de varejo, outra de serviços e uma terceira do ramo imobiliário. Juntas, elas somam dívidas superiores a R$ 15 bilhões, segundo balanços preliminares. A frequência dos casos em agosto já supera a média mensal dos últimos dois anos, quando o Brasil registrava, em média, três pedidos mensais de recuperação judicial ou extrajudicial.

O que chama atenção não é apenas a quantidade, mas a diversidade de setores atingidos. O varejo, tradicionalmente vulnerável a crises de consumo, divide espaço com indústrias pesadas e redes de alimentação, setores que costumavam ser mais estáveis. Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que a combinação de juros altos, inflação persistente e queda na confiança do consumidor está pressionando empresas de todos os portes. "Não é só uma questão de endividamento, mas de fluxo de caixa", afirmou um analista do mercado financeiro, que pediu anonimato. "Muitas empresas que tinham reservas para atravessar a crise esgotaram seus recursos e agora não têm margem para erros."

Para os credores, o desafio é imediato. Bancos e instituições financeiras já começaram a revisar suas carteiras de crédito, enquanto fornecedores avaliam a possibilidade de cortes de prazos ou exigência de garantias adicionais. No caso da Braskem, a negociação com credores deve durar meses, com previsão de homologação do plano até o fim do ano. Já o Grupo Gennius tem 60 dias para apresentar um plano de recuperação detalhado, sob risco de ter seus ativos liquidados.

O governo federal, por sua vez, mantém silêncio sobre o tema, apesar dos pedidos recentes. Apenas o Banco Central, em nota técnica, mencionou que monitora o aumento dos casos, mas não anunciou medidas específicas. Enquanto isso, as empresas seguem em negociação com seus credores, buscando alternativas que evitem a falência. O que está em jogo não é apenas o futuro de milhares de empregos, mas a confiança de um mercado que já convive com incertezas há anos.

O próximo passo cabe aos tribunais. Juízes especializados em recuperação judicial terão de analisar os pedidos em até 30 dias, quando os processos serão julgados ou devolvidos para complementação. Enquanto isso, funcionários, fornecedores e investidores aguardam em um clima de tensão, sem saber quais serão os desdobramentos. Uma coisa é certa: agosto já entrou para a história como um mês de virada — e não pelo melhor motivo.