Três gigantes brasileiras buscam reestruturar dívidas bilionárias
Braskem, Casas Bahia e Marabraz recorrem a recuperações judiciais ou extrajudiciais em menos de uma semana

Na segunda-feira, a Braskem protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para reorganizar cerca de R$ 56 bilhões em dívidas. A medida surge após semanas de negociações com credores e acionistas, em um esforço para evitar o colapso financeiro. Na semana passada, duas redes de varejo de peso no mercado nacional também acionaram mecanismos legais semelhantes: a Casas Bahia, com dívidas de R$ 17 bilhões, e a Marabraz, que busca reestruturar um passivo de R$ 140 milhões.
A Braskem, gigante do setor petroquímico, enfrenta pressões desde o ano passado, quando a queda nos preços das commodities e a alta dos custos de produção reduziram suas margens. A empresa, que tem presença em diversos países, viu sua saúde financeira se deteriorar após a crise global desencadeada pela pandemia. A recuperação extrajudicial permite que a companhia negocie diretamente com credores, sem a intervenção imediata da Justiça, o que pode agilizar o processo. Segundo documentos protocolados, o plano inclui alongamento de prazos e redução de taxas de juros, mas ainda depende de aprovação dos envolvidos.
Já a Casas Bahia, uma das maiores redes de varejo do país, acumula dívidas há anos, agravadas pela concorrência acirrada no setor e pela mudança nos hábitos de consumo. A empresa, que já havia passado por reestruturações anteriores, tenta agora evitar a liquidação de ativos ou a venda de partes do negócio. A Marabraz, por sua vez, enfrenta um desafio menor em termos de volume, mas a recuperação judicial pode ser a única saída para manter suas operações. Ambas as redes dependem de acordos rápidos com fornecedores e bancos para evitar o fechamento de lojas e demissões em massa.
O movimento das três empresas reflete um cenário mais amplo no Brasil, onde várias companhias buscam alternativas para sobreviver à crise econômica. Nos últimos anos, redes como Tok&Stok e o Grupo Pão de Açúcar também recorreram a processos semelhantes, mostrando que o problema não é isolado. Para os consumidores, o impacto pode ser direto: lojas fechando, produtos com preços reajustados e menos opções de crédito no mercado.
Os próximos passos dependem das negociações com credores e da decisão dos tribunais. A Braskem tem até o final do mês para apresentar um plano detalhado, enquanto as redes de varejo precisam fechar acordos em até 60 dias para evitar a falência. O desfecho dessas situações pode redefinir o mercado brasileiro em setores-chave, com consequências que vão além das empresas envolvidas.