Eleições 2026: nomes que já pipocam para o Palácio Araguaia
Pré-candidatos ao governo do Tocantins começam a se movimentar com dois anos de antecedência; veja quem já tem número e trajetória

O Palácio Araguaia, sede do governo estadual, já tem candidatos circulando dois anos antes da eleição de 2026. Entre os nomes que ganham espaço nos bastidores políticos do Tocantins estão figuras com trajetórias em cargos eletivos e na administração pública, cada um com números de registro já definidos ou em vias de confirmação.
O deputado estadual Delegado Caveira (PL) aparece como pré-candidato com o número 22, enquanto o ex-deputado federal Carlos Gaguim (União Brasil) tem o 44 reservado. Na outra ponta, o deputado federal Tiago Andrino (PSDB) já tem o 45 como sua marca registrada para a disputa. Esses números não são meros detalhes: eles definem a identidade de cada postulante nas urnas e já começam a circular em conversas de corredores políticos, especialmente em Palmas, onde as articulações ganham força.
A movimentação não é surpresa. Em 2022, a eleição para governador trouxe uma disputa acirrada entre Wanderlei Barbosa (Republicanos) e o então governador Mauro Carlesse (União Brasil), que terminou com a vitória do atual mandatário. Agora, com dois anos de antecedência, os pré-candidatos já testam seus discursos em eventos regionais e nas redes sociais, enquanto os partidos definem suas estratégias para atrair aliados e eleitores.
Para quem vive no Tocantins, a pré-campanha já começa a influenciar o cotidiano. Em cidades como Gurupi, Porto Nacional e Araguaína, onde a política costuma ter peso nas decisões locais, os nomes em ascensão são discutidos em reuniões de sindicatos, associações e até em mesas de bar. Em Gurupi, por exemplo, o ex-deputado federal Carlos Gaguim, que já foi prefeito da cidade entre 2005 e 2012, é lembrado por obras como a pavimentação de ruas e a construção de escolas, o que ainda rende dividendos políticos na região. Em Porto Nacional, Delegado Caveira, que também foi vereador na capital, tem peso entre os policiais e moradores de bairros como a 304 Sul, onde sua atuação como deputado estadual é citada em conversas sobre segurança pública.
Tiago Andrino, por sua vez, tem base em Araguaína, onde foi vereador e deputado federal. Sua trajetória inclui projetos voltados para a agricultura familiar e a saúde, temas que ganham relevância em uma região como o Bico do Papagaio, onde a economia depende fortemente do campo. Em Xambioá e Augustinópolis, cidades onde Andrino tem presença política, a discussão sobre quem pode representar melhor os interesses locais já começa a tomar conta das rodas de conversa.
Os números dos pré-candidatos não são aleatórios. O 22, de Delegado Caveira, foi escolhido justamente por ser um número associado à polícia, carreira que ele exerceu antes de ingressar na política. Já o 44 de Carlos Gaguim remete ao ano de fundação do partido que ele representa atualmente, enquanto o 45 de Tiago Andrino faz referência ao número de deputados federais eleitos pelo Tocantins em 2018. Essas escolhas não são inocentes: elas buscam criar identificação imediata com o eleitorado, especialmente em um estado onde a política é marcada por personalidades fortes e vínculos regionais.
A definição dos números é apenas o começo. Nos próximos meses, os pré-candidatos devem intensificar suas aparições públicas, participar de convenções partidárias e buscar alianças com prefeitos e vereadores de cidades como Paraíso do Tocantins, onde a política local costuma ser decisiva para o resultado estadual. Em Palmas, a movimentação já é visível nos gabinetes da Assembleia Legislativa e nos corredores do Palácio Araguaia, onde assessores e aliados começam a traçar estratégias para 2026.
O que está em jogo não é apenas o Palácio Araguaia, mas também a continuidade ou a mudança de rumos em áreas como saúde, educação e segurança. Em um estado onde o SUS enfrenta filas longas e as escolas estaduais ainda lutam por estrutura, a escolha do próximo governador pode definir se políticas públicas serão mantidas, ampliadas ou revistas. Em Gurupi, por exemplo, a discussão sobre a gestão da saúde já começa a ser influenciada pela possibilidade de um novo governo, enquanto em Araguaína, a segurança pública — tema caro a Delegado Caveira — deve ser um dos principais pontos de campanha.
Os partidos ainda não oficializaram suas candidaturas, mas a pré-campanha já acirra os ânimos. Em 2022, Wanderlei Barbosa venceu com 50,5% dos votos, enquanto Mauro Carlesse ficou com 49,5%. A diferença de menos de 1% mostra como o Tocantins pode surpreender a cada eleição. Agora, com três nomes fortes em cena, a disputa promete ser ainda mais apertada, especialmente se outros pré-candidatos entrarem na jogada nos próximos meses.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve definir até o final de 2025 os números definitivos dos candidatos, mas a definição dos pré-candidatos já começa a moldar o cenário político. Enquanto isso, nas ruas, os eleitores já começam a se posicionar, seja por afinidade com algum nome, seja pela rejeição a figuras que já ocuparam cargos públicos anteriormente. Em um estado onde a política é feita de redes de influência e lealdades regionais, a pré-campanha de 2026 já é um espetáculo à parte.