Lula recorre bloqueio de anúncios na Meta antes do primeiro turno
Campanha do presidente questiona suspensão de publicidade política e avalia recurso ao TSE, a dez dias da votação

A campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva entrou com recurso nesta segunda‑feira contra a suspensão de anúncios políticos efetuada pela Meta, a apenas dez dias do primeiro turno das eleições.
A decisão da empresa de redes sociais vem após a aplicação de critérios internos que impediram a veiculação de peças publicitárias vinculadas ao candidato. Representantes do partido petista acusam tratamento desigual e exigem esclarecimentos à proprietária da rede, alegando que a medida pode prejudicar a divulgação de propostas e comprometer a competitividade do pleito.
Para entender o impasse, é preciso considerar que a Meta tem adotado políticas mais rígidas para conteúdo político desde as eleições de 2022. A plataforma afirma que a restrição decorre de violação de normas de transparência e verificação de identidade. Os petistas, porém, sustentam que a medida foi aplicada de forma arbitrária, sem aviso prévio, e que não foram fornecidos detalhes sobre os supostos descumprimentos.
A suspensão afeta diretamente a estratégia de comunicação da campanha, que depende de anúncios segmentados para alcançar eleitores indecisos nas redes sociais. Se a restrição permanecer, o alcance das mensagens pode ser reduzido, limitando a capacidade de mobilizar eleitores nas semanas finais da disputa. Analistas apontam que a ausência de anúncios pagos pode favorecer adversários que ainda mantêm presença plena nas plataformas digitais.
Em nota, membros da bancada petista solicitaram à Meta um relatório detalhado sobre os critérios que levaram ao bloqueio e prometeram avaliar a viabilidade de levar o caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O recurso ao TSE seria apresentado dentro do prazo de dez dias que antecede a primeira votação, período crítico para a definição de estratégias de campanha.
Até o momento, a Meta não divulgou informações adicionais sobre o caso, limitando-se a afirmar que segue as diretrizes estabelecidas para anúncios políticos. O impasse abre precedentes para futuros confrontos entre partidos e grandes plataformas digitais, que cada vez mais exercem papel central na formação da opinião pública.
Nos próximos dias, a campanha deverá decidir se encaminha o recurso ao TSE ou busca negociações diretas com a Meta. Enquanto isso, os eleitores acompanharão de perto a disputa, que ganha contornos de debate sobre a regulação da publicidade política na internet e a transparência das decisões das gigantes de tecnologia.