Câmara de Porto Nacional libera área para Econúcleo em Luzimangues
Votação unânime na segunda-feira autorizou doação de terreno para projeto de agroecologia e educação ambiental

A Câmara Municipal de Porto Nacional deu um passo importante na última segunda-feira ao aprovar, por unanimidade, a doação de uma área em Luzimangues para a implantação de um Econúcleo. A decisão, que contou com votos de todos os vereadores presentes, abre caminho para um projeto que promete transformar a realidade local, especialmente na zona rural do município.
O terreno, que será cedido pela prefeitura, faz parte de uma política pública voltada para a promoção da agroecologia e da educação ambiental. Luzimangues, distrito de Porto Nacional conhecido por sua vocação agrícola, ganha com a iniciativa a chance de desenvolver atividades sustentáveis que podem beneficiar diretamente cerca de 500 famílias que vivem na região. Segundo o projeto, o Econúcleo deve funcionar como um espaço de capacitação para produtores rurais, além de servir como base para pesquisas e práticas de manejo sustentável do solo.
A aprovação na Câmara não foi surpresa para quem acompanha o andamento do projeto. Desde o início do ano, a proposta já vinha sendo discutida em audiências públicas e reuniões com lideranças comunitárias. O prefeito de Porto Nacional, José Maria, destacou que a doação do terreno é parte de um compromisso assumido pela gestão com o desenvolvimento rural. "Esse Econúcleo vai além da agricultura. É uma escola viva, onde as pessoas vão aprender a produzir sem agredir o meio ambiente", afirmou o prefeito durante a sessão.
Para os moradores de Luzimangues, a notícia chega em boa hora. Muitos deles dependem da agricultura familiar para sobreviver, mas enfrentam desafios como a falta de acesso a tecnologias e técnicas modernas de cultivo. A economista doméstica Maria Aparecida, que vive na comunidade há mais de 20 anos, comemora a decisão. "Aqui a gente planta, mas muitas vezes não sabe como fazer isso de um jeito que não esgote a terra. Com esse núcleo, a gente vai aprender a fazer melhor", contou ela, que já participou de algumas reuniões preparatórias.
O Econúcleo, que deve ser implementado ainda este ano, será gerenciado em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agricultura de Porto Nacional. A previsão é que o espaço conte com uma estrutura básica, incluindo estufas, viveiros e áreas de cultivo experimental. Além disso, o projeto prevê a realização de cursos e oficinas para os produtores, com foco em práticas como compostagem, controle biológico de pragas e manejo de água.
A iniciativa se alinha a outras ações do governo estadual voltadas para a agricultura familiar no Tocantins. Recentemente, o governo anunciou investimentos em projetos semelhantes em municípios como Gurupi e Dianópolis, reforçando a aposta em uma economia mais verde e inclusiva. Para Porto Nacional, a doação do terreno é apenas o primeiro passo. Agora, a expectativa é que a prefeitura e as comunidades envolvidas trabalhem juntas para viabilizar a implantação do Econúcleo o mais rápido possível.
Os próximos meses serão decisivos. A equipe da Secretaria de Meio Ambiente já começou a mapear as necessidades do terreno e a elaborar o cronograma de obras. Enquanto isso, os vereadores de Porto Nacional prometem fiscalizar o andamento do projeto para garantir que ele saia do papel. "Não adianta aprovar e esquecer. Vamos acompanhar de perto para que essa promessa se torne realidade", afirmou o presidente da Câmara, vereador João Carlos.
A comunidade de Luzimangues, por sua vez, já se mobiliza para participar das atividades que serão oferecidas. A agricultora Joana Silva, que cultiva hortaliças em pequena escala, já se inscreveu para os primeiros cursos. "A gente sabe que o solo aqui está cansado. Se a gente não mudar a forma de plantar, daqui a pouco não tem mais como viver disso", disse ela, com a esperança de que o Econúcleo traga soluções práticas para o dia a dia dela e de outras famílias.