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Julho em Tocantins: calorão, pancadas e céu de brigadeiro

Moradores de Palmas e interior relatam dias de sol intenso, chuvas passageiras e nuvens que mudam o clima em julho

📝 Redação CCN15 de julho de 2026 às 17:15👁 6 leituras
Julho em Tocantins: calorão, pancadas e céu de brigadeiro

Palmas e outras cidades do Tocantins viveram um julho atípico, com dias marcados por calor intenso, pancadas rápidas de chuva e um céu que alternava entre nublado e aberto. Quem saiu de casa pela manhã ou à tarde sentiu na pele a variação térmica, enquanto as chuvas, mesmo breves, deixaram o ar mais úmido e refrescaram o ambiente por algumas horas. O fenômeno chamou a atenção dos moradores, que usaram redes sociais para compartilhar fotos das nuvens densas e dos termômetros batendo na casa dos 35°C em pleno inverno regional.

O clima instável não é novidade para quem conhece o Tocantins, mas julho de 2024 surpreendeu pela intensidade das mudanças. Em Palmas, bairros como o Centro, Sul e Taquaralto registraram temperaturas acima dos 34°C durante a tarde, enquanto o amanhecer trouxe umidade e sensação de abafamento. No interior, cidades como Gurupi, Porto Nacional e Araguaína também sentiram o calorão, com termômetros marcando até 36°C em pontos isolados. As chuvas, embora rápidas, foram suficientes para encher os bueiros e causar alagamentos pontuais em ruas de bairros como o Jardim Aureny III, em Palmas, onde o sistema de drenagem ainda enfrenta problemas de manutenção.

Para quem depende do clima para o trabalho, as condições foram um desafio. Agricultores da região de Dianópolis e Formoso do Araguaia relataram que as chuvas irregulares atrapalharam o manejo das lavouras, especialmente do milho e da soja, que já sofrem com a estiagem prolongada em algumas áreas. "O tempo está louco. Ontem choveu à tarde, hoje o sol queima. Não dá para planejar nada direito", desabafou um produtor rural de Gurupi, que preferiu não se identificar. Já os comerciantes de Palmas, como os donos de bares e restaurantes no Calçadão da 104 Sul, comemoraram as pancadas de chuva, que ajudaram a encher os estabelecimentos nos horários de almoço.

Os dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmam a variação. Em Palmas, a média das temperaturas máximas em julho ficou em 33,5°C, enquanto a mínima registrada foi de 20,1°C. As chuvas, embora abaixo da média histórica para o mês, somaram 12 milímetros em apenas três dias, concentrados em eventos isolados. Em Araguaína, a estação meteorológica do Inmet anotou 15 milímetros em uma única tarde, o que provocou transtornos no trânsito da BR-153. "Essas chuvas rápidas são típicas do inverno tocantinense, mas a intensidade tem chamado a atenção", explicou o meteorologista do Inmet em Palmas, que pediu para não ser identificado.

A Defesa Civil de Palmas emitiu alertas para possíveis alagamentos em áreas de risco, mas até agora não houve registros de ocorrências graves. No entanto, a prefeitura já anunciou um cronograma de limpeza de bueiros e galerias pluviais para evitar transtornos nos próximos meses. "Estamos monitorando as condições, mas o problema não é só a chuva, é a falta de manutenção da infraestrutura", afirmou um técnico da Secretaria Municipal de Infraestrutura, que acompanha os trabalhos.

Enquanto isso, os moradores seguem adaptando seus hábitos. Quem tem carro em Palmas sabe que a poeira das ruas não para, mesmo com as chuvas esporádicas. "Saio de casa com o guarda-chuva, mas às vezes não uso. O tempo muda em meia hora", contou uma moradora do Residencial Morumbi. Já os donos de pets reclamam do calor que afeta os animais, especialmente os cães que ficam presos em apartamentos sem ventilação. "Meu cachorro fica ofegante o tempo todo. Tenho que molhar o chão para ele não passar mal", disse um morador do Setor Bela Vista.

O que esperar para agosto? Segundo o Inmet, a tendência é de manutenção do padrão: dias quentes, noites amenas e chuvas isoladas. Para quem torce por um clima mais ameno, a esperança é que as frentes frias avancem com mais força a partir da segunda quinzena do mês. Até lá, a dica é manter os guarda-chuvas à mão e não esquecer o protetor solar — afinal, no Tocantins, o sol não perdoa nem no inverno.