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Caixa prevê queda na inadimplência do agro no segundo trimestre

Vice-presidente do banco aponta desaceleração nos atrasos do setor rural e defende medidas para renegociar dívidas 20,74%

📝 Redação CCN27 de agosto de 2026 às 17:21👁 5 leituras
Caixa prevê queda na inadimplência do agro no segundo trimestre

A Caixa Econômica Federal identificou sinais de que a escalada da inadimplência no setor agropecuário pode estar perdendo força. Segundo dados internos do banco, a taxa de atrasos no crédito rural recuou para 20,74% no segundo trimestre deste ano, após meses de alta consecutiva. A vice-presidência da instituição avalia que o ritmo de crescimento dos atrasos está se reduzindo, o que abre espaço para uma possível reversão da tendência nos próximos meses.

A análise da Caixa surge em um momento de pressão sobre o setor, que enfrenta dificuldades com a queda nos preços das commodities, a alta dos custos de produção e a redução do acesso ao crédito. Nos últimos trimestres, a inadimplência no agro vinha batendo recordes, impulsionada pela crise econômica e pela seca em várias regiões produtoras. A vice-presidência do banco, entretanto, enxerga uma luz no fim do túnel: a desaceleração nos atrasos sugere que o pior da crise pode ter passado, ainda que o setor não esteja completamente fora de perigo.

Para acelerar a recuperação, a Caixa aposta em uma medida provisória que facilite a renegociação de dívidas no campo. A proposta, ainda em discussão, busca simplificar os processos de alongamento de prazos e redução de juros para produtores endividados. A ideia é evitar que mais agricultores e pecuaristas sejam obrigados a vender ativos ou abandonar suas atividades por falta de condições de pagamento. A medida, se aprovada, poderia injetar fôlego em um setor que responde por cerca de 27% do PIB nacional.

Os números da Caixa mostram que o pico da inadimplência no agro ocorreu no primeiro trimestre, quando a taxa atingiu 22,3%. Desde então, houve uma queda gradual, mas ainda insuficiente para garantir alívio imediato aos produtores. A vice-presidência do banco destacou que, embora a desaceleração seja um sinal positivo, o cenário ainda exige cautela. "Ainda estamos em um patamar elevado de inadimplência, mas a tendência de queda é clara", afirmou um executivo da instituição, que preferiu não ser identificado.

O setor agropecuário, um dos pilares da economia brasileira, tem sido fortemente impactado pela combinação de fatores externos e internos. A queda nos preços do café, soja e milho nos mercados internacionais, somada à valorização do dólar, reduziu a competitividade dos produtos brasileiros. Além disso, a crise hídrica em estados como Mato Grosso e Goiás agravou a situação, forçando muitos produtores a contrair novas dívidas para manter suas lavouras.

A Caixa, que é uma das principais fontes de crédito rural do país, tem atuado de forma proativa para evitar um colapso no setor. Além da medida provisória em discussão, o banco já anunciou a liberação de R$ 5 bilhões em recursos emergenciais para produtores endividados. A expectativa é que essas ações, somadas à desaceleração da inadimplência, possam estabilizar o mercado nos próximos trimestres.

Para os produtores, a notícia é recebida com cautela. Muitos ainda enfrentam dificuldades para honrar seus compromissos, e a perspectiva de uma recuperação depende não apenas de medidas governamentais, mas também da melhora nos preços das commodities e das condições climáticas. "A gente sabe que a situação melhorou um pouco, mas ainda não é o suficiente para respirar aliviado", afirmou um produtor de soja do Centro-Oeste, que pediu para não ser identificado.

A vice-presidência da Caixa, no entanto, mantém o otimismo moderado. Segundo a instituição, a queda na inadimplência no segundo trimestre é um indicativo de que as políticas de renegociação estão começando a surtir efeito. A expectativa é que, se a tendência se confirmar, o setor possa retomar o crescimento ainda este ano, embora em um ritmo mais lento do que o desejado.