Café arábica dispara em alta histórica na bolsa de Nova York
Contratos futuros do grão registram maior cotação em um mês com estoques em queda livre

Os contratos futuros de café arábica na bolsa ICE, em Nova York, dispararam nesta segunda-feira (24) com a maior alta em mais de um mês. O movimento ocorreu justamente quando começou o período de notificação para entrega do primeiro contrato, em meio a volumes de estoque já reduzidos. A cotação subiu 19 centavos por libra-peso, o equivalente a 5,9%, fechando em patamar que não se via desde o início do ano.
A escalada dos preços reflete uma combinação de fatores que vêm se acumulando há meses. A safra atual de café arábica enfrenta dificuldades em várias regiões produtoras, com problemas climáticos reduzindo a produtividade. Além disso, a demanda global segue aquecida, especialmente em mercados como a Europa e a Ásia, onde o consumo de café continua em expansão. A situação se agrava com os estoques cada vez mais enxutos na bolsa, que agora se aproximam dos menores níveis registrados em 26 anos.
Para quem depende do café no dia a dia, a alta já começa a pesar no bolso. Comerciantes e indústrias do setor alertam que o repasse dos custos aos consumidores deve acontecer em breve, caso a tendência se mantenha. Pequenos produtores, por outro lado, veem na valorização uma oportunidade, mas também enfrentam incertezas sobre a capacidade de atender à demanda em um cenário de oferta limitada.
Os números mostram a intensidade do movimento. O contrato futuro de café arábica para março fechou a US$ 3,42 por libra-peso, o maior valor desde dezembro do ano passado. A alta de 5,9% em um único dia reforça a pressão sobre os estoques, que já estavam em patamar crítico. Analistas do mercado destacam que a proximidade da mínima histórica acende um sinal de alerta para toda a cadeia produtiva, desde o produtor até o consumidor final.
O que vem pela frente ainda é incerto. Se a safra do Hemisfério Sul não apresentar recuperação significativa nos próximos meses, a tendência é que os preços sigam pressionados. Por enquanto, as atenções se voltam para as próximas semanas, quando novos dados sobre estoques e safra serão divulgados. Enquanto isso, o mercado permanece volátil, com operadores atentos a qualquer sinal de mudança na oferta ou na demanda.