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Trabalho informal e falta de registro marcam morte em marcenaria

Jovem de 23 anos atuava há dois meses sem carteira assinada em Campinas SP quando foi atingido por placas de madeira

📝 Redação CCN26 de agosto de 2026 às 23:15👁 9 leituras
Trabalho informal e falta de registro marcam morte em marcenaria

A morte de um jovem de 23 anos em uma marcenaria de Campinas, interior de São Paulo, expôs mais uma vez os riscos do trabalho informal e a fragilidade das fiscalizações no setor. Cauã Godoy morreu no último dia 20 após ser atingido por placas de madeira que desabaram sobre ele. O caso ganhou novos contornos nesta quarta-feira, quando a ex-companheira do rapaz afirmou que ele trabalhava no local havia pelo menos dois meses sem registro em carteira, desmentindo a versão inicial do proprietário da empresa, que alegou ser o primeiro dia de serviço do funcionário.

A jovem, que preferiu não se identificar publicamente, contou à imprensa que Cauã alternava períodos de trabalho e ausência, característica comum em empregos informais. "Ele ia quando queria, porque não tinha vínculo formal. Na época em que terminamos, ele parou de ir por um tempo, mas quando voltou, foi na terça-feira", declarou. A informação contrasta com a versão do dono da marcenaria, que, em contato com a reportagem, afirmou que o rapaz havia começado a trabalhar no início de agosto. O empresário, no entanto, não respondeu às ligações posteriores nem enviou a nota prometida sobre o caso.

A Polícia Civil de Campinas investiga o acidente e as condições de trabalho na empresa. Familiares de Cauã já haviam manifestado desconfiança sobre a versão do proprietário, exigindo transparência nas investigações. O caso reacende o debate sobre a segurança em ambientes de trabalho precários, onde a falta de registros e a ausência de fiscalização tornam os funcionários ainda mais vulneráveis a acidentes.

A ex-companheira do jovem também relatou que, após o término do relacionamento, Cauã enfrentava dificuldades financeiras e dependia do dinheiro do serviço informal para se sustentar. "Ele não tinha estabilidade, mas precisava do trabalho. Às vezes, ficava dias sem aparecer, mas sempre voltava quando precisava de dinheiro", afirmou. A irregularidade no vínculo empregatício, segundo ela, era conhecida por ambos, que não viam outra opção diante da falta de oportunidades formais.

O acidente ocorreu durante a montagem de móveis, quando placas de madeira se desprenderam e atingiram Cauã. Testemunhas relataram que o local não tinha equipamentos de segurança adequados, como cintos ou capacetes, o que agravou a situação. A família do rapaz já havia procurado a empresa para cobrar explicações, mas não obteve respostas satisfatórias. Agora, aguardam os desdobramentos da investigação policial para entender o que realmente aconteceu naquele dia.

A Polícia Civil informou que analisa imagens de câmeras de segurança do local e depoimentos de funcionários para reconstituir os fatos. O proprietário da marcenaria, contatado por meio de mensagens, não retornou com informações adicionais. Enquanto isso, a família de Cauã busca apoio jurídico para cobrar responsabilidades e, se for o caso, indenizações. O caso deve ser encaminhado ao Ministério Público do Trabalho, que pode investigar as condições de trabalho na empresa e a ausência de registro do funcionário.

A tragédia levanta questões sobre a fiscalização de empresas que atuam na informalidade, especialmente em setores como o moveleiro, onde a rotatividade de mão de obra é alta e os registros costumam ser negligenciados. Sem fiscalização constante, trabalhadores como Cauã ficam expostos a riscos diários, sem garantias básicas de segurança ou direitos trabalhistas. A morte do jovem é mais um exemplo de como a precarização do trabalho pode ter consequências fatais.