Braskem entra com pedido de recuperação extrajudicial
Empresa petroquímica busca renegociar R$ 54 bilhões em dívidas com proteção de 90 dias para credores

A Braskem, uma das maiores petroquímicas do Brasil, protocolou na Justiça um pedido de recuperação extrajudicial. A medida, anunciada nesta semana, dá à empresa 90 dias para negociar com credores uma reestruturação de cerca de R$ 54 bilhões em dívidas. O processo foi aberto em São Paulo, onde a empresa tem sua sede, e busca evitar uma falência que poderia afetar milhares de empregos e fornecedores.
A decisão não é surpresa. A Braskem enfrenta dificuldades desde 2020, quando a pandemia abalou a economia global e reduziu a demanda por seus produtos. A crise se agravou com a queda nos preços das commodities e a alta dos custos de produção, especialmente com o aumento do dólar e dos juros. A empresa, que já havia reduzido investimentos e demitido funcionários, viu sua situação piorar com a desvalorização do real frente ao dólar, moeda na qual grande parte de suas dívidas é atrelada. Além disso, a Braskem acumulou prejuízos recorrentes nos últimos anos, pressionando sua capacidade de honrar compromissos financeiros.
A recuperação extrajudicial é uma alternativa menos agressiva que a falência, mas exige negociações rápidas. A empresa terá 90 dias para apresentar um plano aos credores, que incluem bancos, fornecedores e investidores. Se aprovado, o acordo pode evitar a liquidação de ativos e a paralisação de operações. Caso contrário, a Braskem poderá ser forçada a entrar com um pedido de recuperação judicial, um processo mais longo e complexo. A petroquímica emprega cerca de 8 mil pessoas diretamente e mantém uma cadeia de fornecedores que depende de sua saúde financeira.
O controle da Braskem é dividido entre dois acionistas principais. O IG4, fundo de investimentos, detém 38,3% das ações, enquanto a Petrobras, estatal brasileira, possui 36,1%. O restante das ações está pulverizado no mercado. A participação da Petrobras, que já foi majoritária, foi reduzida ao longo dos anos após a privatização de parte de suas ações. A empresa, fundada em 2002, é líder na produção de resinas termoplásticas na América Latina e atua em diversos segmentos, como embalagens, construção civil e automotivo.
Os credores terão agora um prazo para analisar a proposta da Braskem. Se o acordo for fechado, a empresa poderá continuar operando normalmente, mas com uma estrutura financeira mais enxuta. Caso contrário, a Justiça poderá determinar a venda de ativos ou até mesmo a dissolução da companhia. A decisão final dependerá da disposição dos credores em aceitar as condições oferecidas, que incluem alongamento de prazos e redução de juros. A Braskem já sinalizou que pretende manter suas operações em funcionamento, mas a incerteza sobre o futuro da empresa deve se estender até o fim do processo.
A situação da Braskem reflete os desafios enfrentados por grandes empresas brasileiras em um ambiente econômico instável. A combinação de crises internas e externas deixou poucas margens para erros, e a petroquímica agora depende da habilidade de seus gestores em convencer credores a aceitar um plano que preserve sua viabilidade. Enquanto isso, funcionários, fornecedores e clientes aguardam por desdobramentos que podem definir o futuro de uma das principais indústrias do setor no país.