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Brasil lidera discussão global sobre pecuária sustentável na FAO

Reunião em Roma debate políticas para garantir segurança alimentar e reduzir emissões sem prejudicar produtores rurais

📝 Redação CCN15 de junho de 2026 às 13:34👁 1 leituras
Brasil lidera discussão global sobre pecuária sustentável na FAO

O Brasil assumiu a frente de um debate internacional sobre o futuro da pecuária, mostrando que é possível aliar produtividade e sustentabilidade. No início de junho, a capital italiana, Roma, sediou o evento *Sustainable Livestock Production: Tailoring Policies for Food Security, Livelihoods and Climate Action*, organizado pelo governo brasileiro em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A iniciativa reuniu especialistas, pesquisadores e representantes de governos para discutir como políticas públicas podem transformar a cadeia produtiva da carne bovina, sem deixar de lado a segurança alimentar ou o meio ambiente.

A escolha do Brasil como protagonista desse diálogo não é casual. O país é o maior exportador de carne bovina do mundo e abriga o maior rebanho comercial do planeta, com mais de 250 milhões de cabeças. No entanto, a pressão internacional por práticas mais limpas na agropecuária tem crescido, especialmente após acordos climáticos como o de Paris. O evento na FAO veio justamente para mostrar que o Brasil não apenas cumpre metas ambientais, mas também desenvolve soluções próprias para reduzir emissões na pecuária, como o Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) e programas de reflorestamento integrado à atividade rural.

Para quem vive no Tocantins, estado que tem na pecuária uma das principais atividades econômicas, as discussões em Roma têm reflexos diretos. O Tocantins é o terceiro maior produtor de carne bovina do Brasil, com um rebanho de cerca de 10 milhões de cabeças, segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura. Produtores locais já adotam técnicas como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que ajuda a recuperar pastagens degradadas e captura carbono no solo. A participação brasileira na FAO reforça a necessidade de políticas que apoiem esses produtores, garantindo que eles não sejam penalizados por exigências internacionais cada vez mais rígidas.

Durante o evento, foram apresentados números que mostram o avanço do Brasil na pecuária sustentável. Segundo a Embrapa, a emissão de gases de efeito estufa por quilo de carne produzida no país caiu 17% nos últimos dez anos, graças a tecnologias como a suplementação alimentar para o gado e o manejo adequado de pastagens. Além disso, o Brasil já recuperou mais de 20 milhões de hectares de áreas degradadas, área equivalente ao tamanho do estado do Rio de Janeiro. Esses dados foram destacados por representantes do Ministério da Agricultura, que participaram da reunião em Roma.

O debate na FAO também colocou em pauta a importância de políticas públicas que incentivem a adoção de tecnologias pelos produtores. No Tocantins, por exemplo, o governo estadual oferece linhas de crédito específicas para quem quer investir em sistemas de produção mais eficientes. A expectativa é que, com a visibilidade internacional do evento, mais recursos cheguem para a região, tanto de fontes nacionais quanto internacionais.

Outro ponto discutido foi a necessidade de harmonizar as exigências dos mercados importadores com a realidade dos produtores brasileiros. A União Europeia, principal destino da carne brasileira, tem cobrado cada vez mais certificações de sustentabilidade. O evento na FAO serviu para mostrar que o Brasil está preparado para atender a essas demandas, mas sem impor barreiras que inviabilizem a atividade rural, especialmente em estados como o Tocantins, onde a pecuária é vital para a economia local.

Agora, o próximo passo é transformar as discussões em ações concretas. A FAO deve lançar, até o final do ano, um relatório com recomendações para os países membros sobre como implementar políticas de pecuária sustentável. Enquanto isso, o Brasil já sinalizou que vai ampliar parcerias com outros países da América Latina e África, compartilhando suas experiências. Para os produtores tocantinenses, a mensagem é clara: a sustentabilidade não é um obstáculo, mas uma oportunidade para garantir o futuro da atividade.