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Brasil negocia compra de mais 20 caças Gripen com a Suécia

Suécia sinaliza possibilidade de ampliação da frota de caças já encomendados pelo Brasil, que desde 2023 produz os aviões em território nacional.

📝 Redação CCN04 de junho de 2026 às 17:43👁 1 leituras
Brasil negocia compra de mais 20 caças Gripen com a Suécia

A Suécia abriu a porta para que o Brasil adquira 20 jatos Gripen adicionais aos 36 já contratados. A proposta surgiu em um contexto onde a produção das aeronaves já ocorre em solo brasileiro, uma mudança significativa na história da modernização da Força Aérea Brasileira.

Para entender o peso dessa negociação, é preciso voltar a 2014. Naquele ano, o governo brasileiro fechou acordo com a fabricante sueca Saab para a compra dos primeiros 36 caças Gripen. Na época, a decisão foi polêmica. O Brasil enfrentava pressão dos Estados Unidos pela compra de F/A-18, enquanto França oferecia o Rafale. O Gripen venceu a concorrência, em parte pelos custos operacionais menores e pela possibilidade de transferência tecnológica.

Durante nove anos, as aeronaves foram importadas. Pilotos brasileiros treinavam com as primeiras unidades enquanto a Força Aérea se adaptava a uma plataforma completamente diferente das antigas esquadrilhas de F-5 que dominavam nossos céus. Tocantins, como estado que abriga bases aéreas e estruturas militares importantes, sentiu os reflexos dessa modernização em toda a região Norte.

O grande salto aconteceu em 2023. A Embraer e a Saab inauguraram uma linha de produção conjunta no Brasil. Não se tratava de uma simples montagem final. A operação envolveu fabricação de componentes, integração de sistemas e testes — tudo feito aqui. Isso significava menos dependência de importações, redução de custos de produção e, crucialmente, geração de empregos e conhecimento técnico no país.

Agora, com essa linha em operação, a proposta sueca de adquirir 20 unidades adicionais ganha outra dimensão. Não seria apenas expansão de capacidade militar — seria manutenção de uma cadeia produtiva já estabelecida, consolidação de postos de trabalho e aprofundamento da cooperação tecnológica entre Brasil e Suécia.

Os números impressionam. A Força Aérea Brasileira teria um total de 56 caças Gripen, praticamente dobrando a esquadrilha inicialmente prevista. Para comparação, a frota brasileira de caças de geração anterior era bem menor. Com essa expansão, o Brasil teria capacidade de patrulha aérea e defesa territorial muito mais robusta, especialmente importante considerando as dimensões continentais do país e as crescentes operações contra o tráfico internacional na região amazônica.

Preciso esclarecer algo: não há confirmação oficial de que o Brasil aceitará a proposta. A Suécia abriu a porta, mas a negociação depende de aprovação orçamentária, prioridades estratégicas do governo federal e avaliação da Força Aérea. Contexto político e fiscal importam. Ampliar gastos com defesa em um momento de aperturas orçamentárias não é trivial.

Mas a sinalização é clara. A viabilidade de produção doméstica muda o jogo. Fabricar aqui em vez de importar tudo significa menos dólares saindo do país, menos dependência de câmbio flutuante e maior controle sobre cronogramas de entrega.

Para a indústria aeronáutica brasileira, especialmente para a Embraer, a continuidade dessa produção é fundamental. Manter a linha ativa, aperfeiçoar processos e treinar técnicos custos. Sem novos pedidos ou renovações, a fábrica perde seu propósito.

Os desdobramentos imediatos serão políticos. A decisão passará por negociações, análise de impacto fiscal e, provavelmente, discussão pública sobre prioridades nacionais. A Suécia certamente continuará a pressionar — afinal, vende aeronaves de alto valor agregado. Mas a bola está no pé do Brasil.