Brasil envia ajuda humanitária à Colômbia após terremoto
Dezessete toneladas de arroz do Tocantins integram carga de 19 toneladas enviada pelo governo federal 15 dias após tremor

O governo brasileiro enviou 19 toneladas de alimentos à Colômbia na última semana como resposta ao terremoto que atingiu o país no dia 10 de março, deixando mais de 300 mortos e cidades inteiras destruídas. A carga, que inclui arroz produzido no Tocantins, foi organizada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e pelo Ministério das Relações Exteriores, seguindo pedido formal das autoridades colombianas. O embarque partiu de um aeroporto federal na manhã de segunda-feira, com destino a Bogotá, onde será distribuído às regiões mais afetadas pelo desastre.
A decisão de incluir alimentos brasileiros na ajuda humanitária não foi aleatória. O arroz produzido no Tocantins, especialmente nas regiões de Gurupi e Porto Nacional, é reconhecido nacionalmente pela qualidade e volume de safra. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estado é o terceiro maior produtor da cultura no país, atrás apenas do Rio Grande do Sul e de Mato Grosso. A escolha do grão para a missão internacional reforça a imagem do Tocantins como celeiro agrícola do Brasil, mas também levanta questões sobre a logística de distribuição em meio a crises humanitárias.
Para quem vive no Tocantins, a notícia chega em um momento em que a agricultura local enfrenta desafios. A safra 2023/2024, embora promissora em volume, ainda sofre com a falta de armazenagem adequada em algumas regiões, o que pode atrasar a comercialização e, consequentemente, a renda dos produtores. Em Porto Nacional, um dos principais polos arrozeiros do estado, cooperativas locais comemoram a visibilidade internacional, mas cobram mais investimentos em infraestrutura para evitar perdas pós-colheita. "Receber essa notícia é bom para a imagem do nosso produto, mas a gente sabe que aqui ainda falta estrutura para escoar tudo que produzimos", afirmou um produtor da região, que preferiu não se identificar.
A carga de 19 toneladas enviada à Colômbia é composta majoritariamente por arroz, mas também inclui feijão e farinha, alimentos básicos na dieta colombiana. O Ministério das Relações Exteriores informou que a ajuda faz parte de um pacote de solidariedade coordenado pelo Itamaraty, que já enviou equipes de resgate e médicos para auxiliar nas buscas por sobreviventes. A ABC, responsável pela logística, destacou que a prioridade é garantir que os mantimentos cheguem rapidamente aos locais mais atingidos, onde a população enfrenta escassez de alimentos e água potável.
Enquanto a Colômbia lida com as consequências do terremoto, o Tocantins segue atento ao mercado internacional. A exportação de arroz para países em crise humanitária pode abrir novas oportunidades comerciais, mas também expõe a necessidade de o estado investir em tecnologia e transporte para competir em igualdade com outros produtores. Autoridades da Secretaria de Estado da Agricultura do Tocantins (Seagro) já sinalizam que devem discutir com o governo federal formas de facilitar a participação do estado em futuras missões de ajuda humanitária, aproveitando a capacidade produtiva local.
O próximo passo da operação é a chegada da carga à Colômbia, onde as autoridades locais devem distribuir os alimentos nas próximas 48 horas. Enquanto isso, no Tocantins, a expectativa é que a visibilidade internacional do arroz tocantinense possa atrair novos investimentos para o setor, mas sem perder de vista os problemas estruturais que ainda precisam ser resolvidos.