AO VIVO
Brasil

Brasil e EUA marcam encontro sobre tarifas na segunda-feira

Reunião entre representantes dos dois países incluirá discussão sobre medidas comerciais a partir de 15 de julho

📝 Redação CCN25 de agosto de 2026 às 10:52👁 2 leituras
Brasil e EUA marcam encontro sobre tarifas na segunda-feira

O governo brasileiro e a administração norte-americana vão se reunir na próxima segunda-feira para debater a implementação de novas tarifas sobre produtos importados. A pauta central do encontro, que deve contar com a participação de um representante do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, é a definição de regras para o chamado "tarifaço", previsto para entrar em vigor em 15 de julho.

A decisão de agendar a conversa veio após semanas de tensão entre os dois países em torno de políticas comerciais. Nos últimos meses, o governo dos Estados Unidos anunciou a intenção de elevar alíquotas sobre uma série de produtos brasileiros, alegando concorrência desleal. Em resposta, o Brasil preparou uma lista de contrapartidas, que incluem tarifas sobre produtos americanos, como aço, alumínio e produtos agrícolas. A reunião de segunda-feira será o primeiro passo para tentar evitar uma escalada comercial que poderia afetar setores-chave de ambas as economias.

Se as negociações não avançarem, as novas tarifas entrarão em vigor em duas semanas, segundo cronograma já divulgado. O impacto imediato deve ser sentido por empresas que dependem de importações ou exportações entre os dois países. No Brasil, setores como o automobilístico, o de máquinas e equipamentos e o agroindustrial estão entre os mais expostos. Nos Estados Unidos, a indústria de manufaturados e a agricultura também devem sofrer os efeitos das medidas.

Um dos pontos mais delicados da pauta é a definição de quais produtos serão atingidos pelas tarifas. Segundo informações preliminares, a lista brasileira deve incluir itens como maquinário pesado, componentes eletrônicos e produtos químicos. Do lado americano, a expectativa é que aço, alumínio e certos tipos de alimentos sejam alvo das novas alíquotas, que podem chegar a 25% em alguns casos.

A reunião de segunda-feira não deve resolver todos os pontos em disputa, mas deve estabelecer um cronograma para as próximas etapas. Caso não haja acordo, as tarifas entram em vigor automaticamente, o que poderia levar a retaliações por parte dos dois governos. A última vez que medidas semelhantes foram aplicadas, em 2018, o comércio bilateral caiu cerca de 12% no ano seguinte, segundo dados da Organização Mundial do Comércio.

Além do representante do Itamaraty, também devem participar do encontro negociadores do Ministério da Economia do Brasil e da Secretaria de Comércio Exterior dos Estados Unidos. A expectativa é que a discussão seja técnica, focada em números e regras, mas a pressão política deve estar presente, especialmente diante do calendário eleitoral nos dois países.

O desdobramento mais imediato será a definição de uma data para uma nova rodada de negociações, caso a reunião de segunda-feira não seja suficiente para fechar um acordo. Enquanto isso, empresas dos dois países já começam a se preparar para possíveis mudanças nos custos de importação e exportação, que podem afetar preços ao consumidor final.

Ainda não há previsão de que a reunião seja transmitida ao público ou que os termos discutidos sejam divulgados em detalhes antes do encontro. O que se sabe é que o clima entre as delegações deve ser tenso, mas com disposição para evitar um rompimento maior. A próxima segunda-feira será um teste para a capacidade de diálogo entre os dois governos em um momento de crescente protecionismo global.